A Itália está hoje sem notícias na televisão, num protesto que é feito contra a chamada "lei mordaça" e que está a afectar mais de 90 por cento dos meios de comunicação social.
Com excepção de alguns jornais diários simpatizantes do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, como “Il Giornale”, “Libero” e “Il Foglio”, a greve convocada pelo sindicato do sector faz com que jornais, agências, rádios, televisões e portais da Internet não dêem informações durante todo o dia de hoje.
Trata-se de sensibilizar o país para as consequências de uma lei que restringe as escutas judiciais e que castiga a sua difusão na imprensa.
Segundo a Federação Nacional da Imprensa Italiana, a nova norma legal, que Berlusconi pretende fazer aprovar antes das férias parlamentares de Verão, limitará a liberdade de informação e atingirá a defesa da legalidade e a luta contra o crime.
O comunicado sindical afirma que “o projecto de lei Alfano limita gravemente a liberdade de imprensa e prevê duras sanções contra os editores e jornalistas que divulgarem os factos da crónica judicial e as investigações”.
Os jornalistas dos diários pararam ontem, para que hoje não houvesse notícias nos jornais, e os da web, da rádio e da televisão estão agora parados. Neste último sector, a ausência de notícias é total. O canal de informação por satélite Sky Tg24, de Rupert Murdoch, oferece apenas programas gravados e anuncia a greve em rodapé. O próprio Canale 5, do grupo Mediaset, de Berlusconi, não emitiu o habitual jornal das 8h00.
O “Corriere della Sera, “La Reppublica”, “La Stampa”, “L’Unitá” e o diário católico “Avvenire”, entre outros, colocaram nas suas páginas online comunicados a explicar a razão da greve.
“É um protesto em defesa dos cidadãos, aos quais a lei nega o direito de serem livremente informados”, explica “La Reppublica”.



