Os principais diários europeus destacam hoje a aprovação do Tratado de Lisboa. A imprensa espanhola divide-se na apreciação de quem ajudou a desbloquear a crise, com alguns a destacarem o papel de Nicolas Sarkozy e outros que Portugal "salvou" o documento.
A decisão dos 27 merece honras de primeira página no "El País", com praticamente todos os jornais a incluírem noticias sobre a decisão final, apesar da hora tardia em que a decisão foi tornada pública pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
O conservador ABC reconhece o papel de Portugal, afirmando que Lisboa "salva a UE da crise oferecendo um mandato à Itália", numa referência à disputa de Roma relativamente à composição do futuro parlamento europeu. Na sua análise, o jornal recorda declarações de Sócrates, antes do encontro dos 27, em que o chefe do governo português se manifestou confiante num acordo, notando que Portugal "sacou da manga" uma proposta que permitiu à Itália ultrapassar os obstáculos que levantava ao acordo.
No caso do "El Mundo", o jornal destaca dados do processo de negociação, nomeadamente com a Polónia e a Itália, referindo-se ao que considera ter sido o papel de Nicolas Sarkozy, tanto a nível mediático - pelo seu divórcio - como pelo papel que "teve para desbloquear as coisas".
Imprensa belga lembra que falta a ratificação
Os media belgas, que falam num "compromisso para não comprometer a Europa", lembram por seu lado que ainda falta o processo de ratificação.
Devido à hora tardia a que o acordo foi alcançado, o assunto está ainda ausente das páginas da imprensa belga - muito concentradas no divórcio do Presidente francês, surgindo no entanto nas edições "online" dos jornais belgas e ainda televisões e rádios.
A versão electrónica do "La Derniere Heure" lembra que o texto tem agora de ser ratificado em todos os países da União, uma "missão delicada sobretudo no Reino Unido", face à pressão para a realização de um referendo.
O "Le Soir" aponta que os líderes europeus chegaram em Lisboa a um acordo "com a esperança de terem finalmente posto fim a mais de dois anos de crise institucional".
O "La Libre Belgique", por seu turno, indica que o acordo entre os chefes de Estado e de Governo dos 27 foi possível após as soluções encontradas para satisfazer as pretensões de Varsóvia e Roma e assinala a data já agendada pela presidência portuguesa para a assinatura do "Tratado de Lisboa", a 13 de Dezembro.
Imprensa francesa louva acordo
O "Le Monde" titula "Vinte e sete chegaram a acordo sobre novo tratado institucional", referindo que na noite de 18 para 19 de Outubro os dirigentes europeus alcançaram um acordo definitivo sobre o novo tratado institucional "que irá substituir a defunta Constituição Europeia".
Por seu lado, o "Libération" afirma que a "União Europeia terá um novo tratado em 2009" e cita declarações do primeiro-ministro português e presidente em exercício da UE, que considerou a assinatura do acordo "uma vitória da Europa".
"Os 27 aprovam o tratado que substitui a Constituição", escreve a edição na Internet do "Le Fígaro", explicando que o texto de mais de 250 páginas foi aprovado hoje pouco antes das 2h00 da manhã (01h00 em Lisboa), depois das últimas concessões a italianos, que ganham mais um deputado, e polacos, que garantiram um lugar no Tribunal Europeu.
O jornal refere ainda que o tratado foi redigido de forma a poder ser ratificado sem referendo e que mantém muitas das inovações que figuravam no tratado constitucional de 2005, rejeitado por franceses e holandeses.
Contudo, escreve o "Le Fígaro", o acordo "evita a palavra Constituição e suprime tudo o que possa dar à União Europeia a aparência de um super-Estado".
"Sucesso completo", dizem os media alemães
Os jornais alemães referem-se hoje nas suas edições "online" à aprovação do Tratado Reformador em Lisboa, após mais uma maratona dos líderes da União Europeia que só terminou de madrugada, falando de "uma vitória para a Europa".


