Aos bispos belgas chegaram mais de 300 queixas de casos de pedofilia, mas só 15 foram tidas em conta e mesmo nestes casos os culpados nunca sofreram sanções.
A denúncia é feita pelo padre Rick Devillé, que fundou um grupo de trabalho, Direitos Humanos na Igreja, para defender as vítimas de abusos. “Entre 1992 e 1998 apresentámos mais de 300 queixas de abusos cometidos por padres, mas só 15 tiveram sequência com a confissão” dos culpados, disse o padre Devillé aos jornais flamengos “De Standaard” e “Het Nieuwsblad”.
“Os padres postos em causa mais vezes foram transferidos, mas nunca houve sanções”, conta Devillé, lamentando a falta de apoio da hierarquia católica belga. “Foram muito poucos os padres que nos ajudaram.” Na maioria dos casos, explica, foi dito às vítimas que os seus casos tinham “infelizmente prescrito”. Houve até vítimas que acabaram acusadas de difamação.
“Tivemos o caso de um padre acusado três vezes de abusos e que de cada vez era transferido para um local onde não fosse conhecido, onde continuava a abusar”, conta o padre Devillé.
O porta-voz da Conferência dos Bispos Católicos da Bélgica, Eric De Beukelaer, propôs agora a criação de uma comissão de inquérito sobre a forma como a Igreja tratou no passado os casos de pedofilia.



