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Hungria vai virar à direita, com os extremistas a forçar a balança

11.04.2010 - 08:43 Por Clara Barata

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Candidatos do Jobbik com bigodes à Hitler num cartaz eleitoral Candidatos do Jobbik com bigodes à Hitler num cartaz eleitoral (Laszlo Balogh/Reuters)
Com a ida às urnas de hoje, a Hungria começa a dar uma cambalhota que só vai completar a 25 de Abril, quando for a segunda volta. A vitória mais do que anunciada será do Fidesz, do líder populista de centro-direita Viktor Orbán, que pode inaugurar, pela primeira vez desde a queda do Muro de Berlim, uma maioria de dois terços. Mas neste país destroçado pela crise, a principal notícia deve ser a transformação da Hungria na mais recente conquista eleitoral da extrema-direita xenófoba e racista na Europa, com a possível transformação do Jobbik no segundo maior partido.

"Porco judeu, porco judeu!", gritavam os apoiantes do Jobbik ao presidente da câmara de Budapeste. "Para o Danúbio!", gritam a Gábor Demszky, um ex-dissidente do regime comunista, há 20 anos autarca, que estava junto ao monumento ao poeta Sándor Petöfi para fazer um discurso, conta o enviado da revista alemã Der Spiegel na capital húngara. Dois jovens com o braço estendido numa saudação nazi dizem, primeiro mais baixo e depois com mais força: "Para o campo de concentração!"

O partido Jobbik, liderado por Gábor Vona, teve quase 15 por cento nas eleições europeias do ano passado, e agora as sondagens dão-no com a possibilidade de atingir até 17 por cento. Pode até ultrapassar os socialistas, que detiveram o poder nos últimos anos e presidiram ao descalabro da crise económica e financeira que transformou a Hungria no primeiro país da União Europeia (UE) a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas o Jobbik, Movimento para uma Hungria Melhor, não é só um partido: é uma milícia que patrulha as ruas exibindo símbolos nazis, em fardas de combate e camuflados ou uniformes negros. Quer entrar nas zonas onde vivem as minorias Roma (ciganos) para acabar com "o crime dos ciganos" nas áreas onde há mais tensões, sobretudo no Norte do país. "Relativamente aos ciganos, a situação em certas zonas do país assemelha-se a uma guerra civil", disse Vona, citado pelo jornal inglês The Guardian. "Só intervenções drásticas podem ajudar."

Se a taxa de desemprego a nível nacional é de 14 por cento, em algumas comunidades ciganas pode atingir 90 por cento, diz o jornal francês Le Monde. O sistema comunista empregava-os em cooperativas industriais e agrícolas que desapareceram com a chegada do capitalismo. "Em 1990, e mesmo dez anos mais tarde, ninguém previa que o problema dos Roma se ia tornar tão explosivo", disse ao Le Monde Kristof Szombati, do partido ecologista A Política Pode Ser Diferente (LMP), que pode ter 5 por cento dos votos.

O Jobbik e a economia

Viktor Orbán, que já foi primeiro-ministro entre 1998 e 2002, não quer ter nada a ver com o Jobbik, embora membros do seu partido façam afirmações e tenham ligações a publicações claramente anti-semitas, diz a Der Spiegel. Terá é de gerir um empréstimo de 20 mil milhões de euros do FMI e da UE, com as apertadas condições que acarreta. No ano passado, a economia contraiu-se 6,3 por cento e neste ano parece estagnada.

Orbán tem feito muitas promessas populistas: cortar nos impostos sobre os salários, diminuir para metade o número de municípios e de deputados no Parlamento. Para estas últimas reformas precisa de uma maioria de dois terços - e é possível que a tenha. Ainda assim, a mobilização dos eleitores não é elevada: as sondagens indicam que apenas 53 por cento devem ir votar.

A força com que o Jobbik sair destas eleições será importante também para a governação económica do país, pois o partido não reedita apenas as ideias nazis e racistas do passado. Tem convicções mais próximas das do tempo da Cortina de Ferro, como suspender a dívida pública, rever privatizações e leis que favorecem a entrada de empresas estrangeiras na Hungria, bem como proibir que estrangeiros sejam proprietários de terrenos a partir de 2011.

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É o neoliberalismo meus amigos

A Europa do grande capital está a mostrar a sua verdadeira face. É o neoliberalismo em todo o seu ...

AlbinoCosta

11.04.2010 13:50

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