A Human Rights Watch insistiu nesta sexta-feira que a Liga Árabe deve prontamente suspender a Síria, considerando que a repressão violenta das autoridades de Damasco sobre os protestos pró-democracia, em que morreram já mais de 3.500 pessoas, constitui um crime contra a humanidade.
A partir de entrevistas feitas com mais de 110 vítimas e testemunhas de abusos cometidos pelas forças de segurança, em particular na cidade de Homs – um dos berços da revolta popular que eclodiu em Março passado –, a Human Rights Watch acusa o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, de “pura brutalidade”. Num relatório divulgado nesta sexta-feira são relatados casos de tortura de manifestantes, com recurso a espancamentos e às técnicas de water-boarding (afogamento parcial), choques eléctricos e armas atordoantes.
“A Liga Árabe tem de dizer ao Presidente Assad que violar o acordo que fizeram [em referência ao Plano de Acção Árabe, a que Damasco anuiu na semana passada] tem consequências e que, agora, apoia a ideia de que o Conselho de Segurança tem de agir para travar esta carnificina”, sublinhou a directora da HRW para o Médio Oriente, Sarah Whitson.
Amanhã, sábado, a Liga Árabe volta a reunir-se, a pedido urgente do primeiro-ministro do Qatar, para discutir a crise na Síria, depois de se ter constatado no terreno, no início desta semana, que Damasco estava longe de dar quaisquer sinais de cumprir o acordo a que dera aval.
Ao abrigo do Plano de Acção Árabe, a Síria aceitou retirar prontamente as tropas e tanques das cidades revoltosas, libertar as (estimadas) dezenas de milhares de prisioneiros políticos, iniciar conversações de pacificação com a oposição, no prazo máximo de duas semanas, e permitir o acesso ao país dos media internacionais.
Porém, a ofensiva militar contra os activistas e manifestantes não parou e, na quinta-feira, foram mortas 40 pessoas em diversas zonas do país, 15 delas em Homs, cidade descrita pela HRW como um “micro cosmos” da violência das forças de segurança sobre a população civil.
O regime de Assad mantém que está a enfrentar uma rebelião de “grupos criminosos armados” e que centenas de soldados e polícias foram mortos ao longo destes oito meses.
Grupos de direitos humanos locais reportam não apenas que as mortes e detenções de civis continuam por todo o país, mas também que são cada vez mais os soldados que desertam do Exército sírio para se juntarem ao movimento de revolta, dando azo a combates mais intensos e envolvendo armamento pesado dentro das cidades.



