O Presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou hoje que irá “respeitar” o resultado do referendo à sua proposta de reforma constitucional, apelando à oposição que siga o seu exemplo.
“Vamos aceitar o resultado seja ele qual for”, afirmou Chávez, com o seu filho nos braços, perante os jornalistas, depois de ter votado numa pequena escola do bairro pobre 23 de Enero, nos arredores de Caracas.
Eleito em 1999 para a Presidência da Venezuela, Chávez, que enfrenta, pela primeira vez, uma ameaça de um resultado eleitoral menos favorável, segundo as sondagens, apelou aos seus opositores que respeitem igualmente o resultado do referendo, considerando o veredicto que sairá das urnas um “triunfo democrático”.
Perto de 16 milhões eleitores apresentam hoje a sua resposta à reforma proposta por Chávez, que prevê, em caso de aprovação, que deixe de existir um limite de tempo para mandatos presidenciais.
Chávez, de 53 anos, um dos fiéis apoiantes do líder cubano Fidel Castro e um dos mais acérrimos opositores do Presidente norte-americano, George W. Bush, tem apresentado como lema da sua Presidência a entrega do “poder ao povo”. Porém, o seu projecto de alteração da Constituição, que defende um modelo económico socialista, divide profundamente a população, incluindo as camadas mais populares, feudos tradicionais do regime.
As últimas sondagens prevêem resultados muito próximos entre o “sim” e o “não”, deixando antever uma possível onda de violência na Venezuela, onde Chávez conseguiu, até aqui, vencer confortavelmente todos os escrutínios.
Mais de 100 mil soldados devem ser mobilizados em todo o país durante a votação de hoje, que se desenrola perante a ausência da vigilância habitual da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos. Chávez convidou os seus próprios observadores internacionais para acompanharem o referendo.
As urnas encerram às 16h00 locais (20h00 em Lisboa).


