O Congresso das Honduras aprovou hoje a saída do país da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) por alegada ingerência ideológica e militar do Presidente venezuelano Hugo Chávez, que ameaçou intervir militarmente nas Honduras após o golpe militar de 28 de Junho. A proposta foi feita pelo Presidente de facto Roberto Micheletti, que assumiu o poder após o golpe.
Chávez tem sido dos principais opositores ao golpe dos militares que, a 28 de Junho, foram buscar o Presidente eleito Manuel Zelaya a casa e o levaram para a Costa Rica, depois de este ter tentado realizar um referendo que abriria caminho a uma mudança da Constituição que lhe permitiria disputar mais do que um mandato. Zelaya conseguiu depois regressar às Honduras e está desde Setembro refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, sem ter conseguido regressar ao poder e sem sair das instalações diplomáticas para não ser detido.
A 29 de Novembro realizaram-se eleições e o candidato vencedor foi Porfírio Lobo, opositor de Zelaya, que ainda não tomou posse. Esse escrutínio foi contestado por diversos países, como o Brasil, que não o reconheceram por defenderem que foi organizado pelos golpistas. A saída da Alba, que junta a Venezuela de Chávez e os principais aliados, como a Bolívia de Evo Morales, a Nicarágua de Daniel Ortega e Cuba dos Castro, será agora das últimas iniciativas de Micheletti antes da tomada de posse do vencedor das eleições.
O Congresso hondurenho, também constituído após o golpe, aprovou essa proposta por maioria – 123 votos em 128 deputados - “devido ao facto de alguns países da organização não terem tratado as Honduras com o respeito que merece um país”, adiantou o ministro da Presidência hondurenho, Rafael Pineda, citado pelo diário espanhol “El País”.
Zelaya tinha sido eleito como candidato de direita, mas durante o mandato estreitou as relações com a Venezuela e promoveu a integração das Honduras na Alba em 2008. Nessa altura Micheletti era presidente do Congresso, lugar que ocupou até ao golpe de Estado.



