Honduras: candidato da oposição conservadora tira vitória fácil das eleições presidenciais

30.11.2009 - 08:56 Por PÚBLICO
O candidato conservador Porfirio Lobo foi dado como vencedor das presidenciais das Honduras, quando seguia com mais de 55 por cento dos votos estando mais de metade dos boletins contados.
O seu mais próximo rival, Elvin Santos do Partido Liberal (no poder) reconheceu prontamente a derrota, abrindo a porta a um apaziguar da tensa crise política que o país vive há cinco meses, desde que o exército forçou ao exílio o então chefe de Estado Manuel Zelaya.
Este anúncio de resultados foi acolhido com satisfação pelos Estados Unidos, crendo-se para breve um reconhecimento oficial da vitória de Lobo, mas recebeu críticas duras dos governos de esquerda na região – particularmente a Venezuela, Argentina e Brasil – que avaliaram o sufrágio como inválido por ter sido “montado” pelos líderes do golpe que afastou Zelaya do poder. Sustentam ainda estes países da linha de esquerda na América Central e do Sul que desta forma é inviabilizada qualquer hipótese de este último poder terminar o seu mandato legítimo, o qual só expira em Janeiro próximo.
O próprio Zelaya, de resto, veio lançar mais achas para a fogueira, denunciando já esta manhã irregularidades nas contagens dos votos. “Estamos muito surpreendidos com a forma como os números desta eleição foram inflacionados com o propósito de mentir aos hondurenhos”, afirmou o Presidente em declarações à Radio Globo.
Zelaya – que foi deposto na noite de 28 de Junho passado, forçado a abandonar o país por militares ainda em pijama, e que se encontra refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde há dois meses – apelara ao boicote a estas presidenciais antecipadas, marcadas e organizadas pelo Governo interino.
O Tribunal Eleitoral Supremo das Honduras fixou a taxa de participação nos 61,3 pontos percentuais quando estavam 60 por cento dos votos contados – um número bastante acima dos 55 por cento de participação com que Zelaya foi eleito em 2005. A Frente Nacional de Resistência, movimento nascido na esteira do golpe de Estado e que se opõe ao afastamento de Zelaya, argumenta que a abstenção terá sido entre os 65 e os 70 por cento.
“Este processo eleitoral está repleto de falhas, não tem legitimidade e deve ser anulado”, instou Manuel Zelaya na entrevista à Globo, um dos poucos órgãos de comunicação social hondurenhos que expressamente se opõem ao golpe de Estado que ocorreu neste pequeno e pobre país da América Central.

