Homens encapuzados afirmam que ETA manterá as armas até à independência do País Basco

24.09.2006 - 14:52 Por AFP, PUBLICO.PT
Três homens encapuzados e armados leram ontem uma mensagem em nome da ETA na qual a organização terrorista afirma que não entregará as armas até consiguir a “independência e o socialismo” do País Basco.
De acordo com os jornais independentistas “Gara” (canal habitual das reivindicações da ETA) e “Berria”, citados pela edição online do “El Mundo”, a mensagem foi lida por um dos três homens durante uma homenagem no âmbito do “Gudari Eguna” (Dia do Soldado Basco), numa zona de bosque de Aritxulegi, na província basca de Guipúzcoa. No final da leitura foram disparados sete tiros para o ar, tendo o grupo desaparecido em seguida.
Na mensagem é defendido que o Dia do Soldado Basco não deve ser esquecido mas antes um modelo a seguir e respeitar. “Com o exemplo dos companheiros de luta em memória e apreendendo com o caminho percorrido, este dia tem que servir para reforçar a luta de hoje e amanhã, tem que servir para fortalecer o compromisso pessoal pela liberdade de Euskal Herria [País Basco]. A luta não é o passado, mas o presente e o futuro”, reforça a nota atribuída à organização.
Sublinhando que o objectivo principal é a liberdade do povo basco, na mensagem é afirmado que é “imprescindível” que seja “enfrentada firmemente a opressão que vive Euskal Herria”. A organização confirma, assim, o seu “compromisso de continuar a lutar firmemente, com as armas na mão, até conseguir a independência e o socialista de Euskal Herria”.
Esta mensagem surge após se ter cumprido meio ano sobre o cessar-fogo anunciado pela ETA a 22 de Março último. Pessoas que assistiram à leitura da mensagem citadas pela AFP indicaram que “apesar da decisão de conservar as armas, a ETA não renuncia ao cessar-fogo permanente nem às negociações com o Governo espanhol” para o processo de paz.
Um porta-voz do Governo de Madrid disse, por sua vez, à agência noticiosa que “o importante é manter o processo de paz”.
O chefe do Executivo basco, Juan José Ibarretxe, tinha já se afirmado anteontem “preocupado” perante os “obstáculos evidentes para o avanço e consolidação do processo”.


