A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, terminou hoje uma visita de 24 horas à Indonésia que foi considerada pela AFP uma verdadeira "operação de charme" junto do maior país muçulmano do mundo.
Presença num popular programa de televisão, visita a projectos de auxílio financiados pelos Estados Unidos e deambulação pelas ruelas do bairro pobre de Petojo Utara, no centro de Jacarta, com os esgotos a céu aberto, preencheram as últimas horas da etapa indonésia desta visita de oito dias a territórios asiáticos. A primeira deslocação efectuada ao estrangeiro pela nova secretário de Estado, de modo a sublinhar bem a extrema importância que Washington atribui ao Extremo Oriente.
Toda ela sorrisos, no meio de estudantes, de crianças de rua e de outras audiências, Clinton não se cansou de fazer o elogio do diálogo entre as civilizações e de procurar convencer todos de que os Estados Unidos mudaram muito neste mês decorrido desde o fim da Administração Bush, já sabendo agora "escutar" os demais povos.
"É necessário falar com todos, pelo mundo fora", sublinhou a chefe da diplomacia norte-americana, que procurou evitar as tradicionais referências ocidentais ao islão radical ou ao tradicionalismo.
Como se não fosse suficientemente visível, um próprio porta-voz do Departamento de Estado teve o especial cuidado de recordar à imprensa que a Indonésia foi incluída neste périplo asiático, ao lado do Japão e da China, para que se compreenda bem o quanto a América procura "estender a mão" ao mundo muçulmano, num gesto de fraternidade.
Sendo o país habitado em mais de 90 por cento por muçulmanos, mas essencialmente por muçulmanos considerados moderados e tolerantes, susceptíveis de seguirem as práticas políticas do multipartidarismo, ele foi considerado fundamental para que se passasse a mensagem do que é hoje em dia Washington e do que pretende fazer no seu relacionamento com o mundo em geral.
"O islão, a democracia e a modernidade podem não só coexistir como, também, prosperar em conjunto", disse a antiga primeira dama, que pediu a Jacarta "conselhos e avisos sobre a maneira de melhorar as relações não só com o mundo muçulmano mas de igual modo com a Ásia e o resto do planeta". E teve uma resposta pronta do seu homólogo, o ministro indonésio dos Negócios Estyrangeiros, Hassan Wirajuda, que lhe garantiu que o quarto país mais populoso do mundo vai ser "um bom parceiro dos Estados Unidos junto do mundo muçulmano".
No entanto, o presidente da Muhammadiyah, a segunda organização muçulmana indonésia, Din Syamsuddin, teve o especial cuidado de lhe sublinhar que não poderá contar com uma melhoria significativa das relações de Washington com o mundo islâmico se não for adoptada nova atitude quanto ao conflito israelo-palestiniano, onde a América estaria a seguir uma política de "dois pesos e duas medidas".
Procurando responder às preocupações existentes quanto ao Médio Oriente, Hillary Clinton fez questão de confirmar que no dia 2 de Março deverá estar no Egipto, para a conferência internacional de doadores que deverá contribuir para minorar os sofrimentos da população da Faixa de Gaza.
Agora, na prossecução deste périplo, a secretária de Estado é aguardada hoje à noite na Coreia do Sul.



