Hillary Clinton faz visita surpresa a Bagdad em plena vaga de violência

25.04.2009 - 09:38 Por Agências
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou hoje a Bagdad para tentar compreender as razões da vaga de violência no Iraque, numa visita surpresa realizada a nove semanas da retirada das forças americanas das cidades iraquianas.
Esta é a primeira viagem de Clinton ao Iraque desde a sua chegada ao Departamento de Estado, em Janeiro.
A secretária de Estado norte-americana chegou ao aeroporto de Bagdad às 08h30 (05h30 em Lisboa) vinda do Kuwait, um dia depois de um duplo atentado suicida que matou, pelo menos, 58 pessoas na capital iraquiana.
"Estamos ao corrente dos atentados suicida mortíferos que ocorreram [quinta e sexta-feira] e desejo conhecer a avaliação (do general Ray Odierno, chefe da Força Multinacional) sobre o que significa este tipo de actos (...) e sobre o que pode ser feito para os impedir", declarou Clinton aos jornalistas que a acompanham, antes da sua chegada.
Desde quinta-feira morreram, pelo menos, 140 pessoas numa série de ataques suicida perpetrados, nomeadamente, contra xiitas iraquianos. Este é o mês mais mortífero de 2009, com mais de 250 mortos e perto de 700 feridos.
"Penso que vai sempre haver conflitos políticos no Iraque, como em qualquer sociedade. Mas acredito que o Iraque no seu conjunto vai na boa direcção", salientou.
Além do general Odierno, Clinton deverá reunir-se com o Presidente iraquiano Jalal Talabani, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki e com o seu homólogo Hoshyar Zebari. Encontrar-se-á ainda com o representante especial do secretário-geral da ONU no Iraque, Staffan de Mistura.
A recente vaga de atentados coloca a questão sobre a capacidade das forças iraquianas em garantirem sozinhas a segurança do país. "Queremos garantir ao povo iraquiano que estamos comprometidos com a estabilidade, a segurança e a auto-suficiência do Iraque", disse ainda Clinton.
Clinton salientou a necessidade de "não interferir nos assuntos políticos internos" do Iraque, numa altura em que estão previstas eleições para o final do ano.
A visita de Clinton acontece duas semanas depois da visita do Presidente norte-americano Barack Obama, que advertiu que os próximos 18 meses serão críticos para o Iraque e que era altura de os Estados Unidos entregarem aos iraquianos o controlo do seu país.
No final de Fevereiro, Obama anunciou que a maioria dos 140 mil soldados estacionados no Iraque deverá deixar o país até 31 de Agosto de 2010 e que ficaria apenas no território uma força de 35 mil a 50 mil homens. O acordo assinado entre Bagdad e Washington prevê a retirada completa das forças americanas antes do final de 2011.


