Hillary Clinton diz que a África do Sul deve usar a sua influência no Zimbabwe

07.08.2009 - 10:12 Por Jorge Heitor
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou ontem à noite em Joanesburgo que a África do Sul deve "tentar utilizar a sua influência para mitigar os efeitos negativos da continuação da presidência de Robert Mugabe" no Zimbabwe.
Depois de ter sobrevoado a capital do Zimbabwe, Harare, na viagem de Nairobi para Joanesburgo, a chefe da diplomacia norte-americana pediu aos sul-africanos que exerçam pressão para que haja reformas políticas e económicas na antiga Rodésia.
Na segunda etapa de uma viagem de 11 dias por sete países africanos, Hillary Clinton aproveitou logo um primeiro encontro com a ministra sul-africana dos Negócios Estrangeiros, Maite Nkoana-Mashabane, para defender ouma maior pressão sobre Mugabe para que ele cumpra adequadamente o acordo de partilha do poder com o primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC).
Para além disso, Clinton anunciou que também vai aproveitar as suas conversações de amanhã, em Durban, com o Presidente Jacob Zuma para insistir neste ponto de que a África do Sul, a maior economia de todo o continente, deverá influir o curso dos acontecimentos no Ziombabwe, país que se tornou independente em 1980.
Depois de conferenciar hoje em Pretória com o vice-presidente Kgalema Motlanthe, Clinton voltou a Joanesburgo para visitar o principal herói da luta contra o apartheid, Nelson Mandela, que foi o primeiro Presidente sul-africano após a abolição do sistema de segregação racial.
A secretária de Estado permaneceu meia-hora com aquele ícone mundial da paz e da reconciliação e teve a oportunidade de consultar cópias de cartas por ele escritas na prisão.
"Isto inspira-me uma admiração ainda maior pelo seu trabalho e um afecto ainda maior pelo homem", declarou Clinton à imprensa, ao sair da residência do ex-Presidente, cuja "disciplina" saudou.
Mandela, de 91 anos, mantém um bom relacionamento com o marido de Hillary, o antigo Presidente Bill Clinton, que procura, desde que saiu da Casa Branca, recorrer à sua imagem para promover as causas que lhe são caras, como a da luta contra a sida.
Um alto funcionário norte-americano que viaja na comitiva da secretária de Estado disse, citado pela AFP, que Clinton tenciona lançar um apelo ao Presidente do Zimbabwe para que deixe de perseguir a oposição e de avalizar a ocupação de fazendas que pertenciam aos brancos, bem como tenciona pedir-lhe, ainda que de forma indirecta, que garanta a liberdade de imprensa, permitindo inclusive que jornalistas estrangeiros possam exercer a sua actividade no país.
Por outro lado, durante este fim-de-semana na África do Sul, Hillary Clinton pensa coordenar esforços com os seus anfitriões para que se ultrapasse a crise política em que tem vivido Madagáscar.
Para além de Pretória, Joanesburgo e Durban, a permanência da secretária de Estado no país também inclui, amanhã, uma deslocação à Cidade do Cabo, a capital legislativa sul-africana, onde funciona o Parlamento.
Hillary já estivera por mais de uma vez na África do Sul quando era Primeira-dama.
Notícia actualizada às 17h04

