A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, garantiu hoje que os Estados Unidos estão unidos por “laços estreitos e inquebráveis” a Israel, rejeitando a existência de uma crise diplomática entre os dois aliados a propósito dos planos para a expansão dos colonatos em Jerusalém Oriental.
A imprensa israelita citou ontem o embaixador israelita nos EUA, Michael Oren, segundo o qual as relações entre os dois países atravessam “uma crise de proporções históricas, a pior dos últimos 35 anos”.
Um diagnóstico feito depois de a Administração norte-americana ter considerado “insultuoso” o comportamento do Governo israelita, que anunciou a construção de mais 1600 casas no bairro ultra-ortodoxo de Ramat Schlomo, em plena visita do vice-presidente dos Estados Unidos. Joe Biden estava no país para relançar o processo de paz, e viu-se impotente para acalmar a fúria da Autoridade Palestiniana, que acabou por se afastar das negociações indirectas promovidas por Washington.
Questionada sobre as declarações de Oren, Clinton rejeitou a existência de uma crise, sublinhando que Washington tem um “compromisso absoluto com a segurança de Israel”. Os dois países, acrescentou, “partilham valores comuns” e estão ambos comprometidos com “a solução de dois Estados [israelita e palestiniano]”.
“Isto não quer dizer que concordemos em tudo”, sublinhou a chefe da diplomacia, que pediu ao Governo de Benjamin Netanyahu “medidas para demonstrar o seu compromisso com o processo de paz”.
Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelita saudou as “palavras calorosas” de Clinton, mas não deu quaisquer sinais de que poderá recuar nos planos de expansão de Ramat Schlomo, construído em terrenos anexados por Israel em 1967 e ilegais à luz do direito internacional.
Mas num sinal de que a crise não está encerrada, o Departamento de Estado norte-americano confirmou que George Mitchell, o enviado especial à região, não vai regressar esta semana à região, como estava previsto. O seu regresso poderá estar condicionado por uma “resposta oficial” de Israel à exigência que lhe foi feita por Washington de congelar a construção de novos colonatos.



