O movimento xiita libanês Hezbollah aceitou o acordo para a troca de prisioneiros com Israel, mediado pela ONU, dizendo acreditar que a entrega poderá ocorrer dentro de “uma ou duas semanas”.
“Anuncio oficialmente que aceitamos este acordo”, afirmou o xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, numa conferência de imprensa transmitida pela televisão do movimento.
Segundo o dirigente, a troca de prisioneiros deverá ocorrer dia 15 deste mês, “ou um pouco antes ou um pouco depois”. “Creio que dentro de uma ou duas semanas este assunto estará concluído”, afirmou o dirigente.
Ao abrigo deste acordo, negociado em segredo durante meses e aceite domingo passado por Israel, a guerrilha libanesa vai entregar dois soldados israelitas sequestrados há dois anos, num incidente que mereceu uma forte resposta do Exército israelita contra o Líbano, dando origem a uma guerra em solo libanês que se prolongou por 34 dias.
O Governo israelita acredita que os dois militares – feridos durante a captura – estão mortos, mas Nasrallah recusou-se a comentar estas informações.
Em troca, Israel vai libertar cinco prisioneiros libaneses, incluindo Samir Qantar, condenado a prisão perpétua pela morte de uma família durante um raide realizado em 1979 contra a cidade costeira israelita de Nahariya. Além dos detidos, Israel entregará ainda os restos mortais de 200 libaneses, palestinianos e outros combatentes árabes mortos durante incursões no Norte do país.
O xeque libanês revelou ainda que o Hezbollah vai entregar nos próximos dias um relatório sobre o que sucedeu ao piloto israelita Ron Arad, que se ejectou do seu avião durante um raide contra o Sul do Líbano, em 1986. Nasrallah explicou que o grupo chegou a uma “conclusão firme” sobre o destino do militar, mas escusou-se a entrar em pormenores.
No passado, o movimento xiita disse ter informações de que Arad tinha morrido, mas garantia não ter conhecimento do local onde fora sepultado. Desde 1988 que Israel não obtém qualquer informação sobre o seu piloto, que nessa altura se encontrava detido em poder da guerrilha xiita.


