O aspirante a candidato presidencial republicano Herman Cain mostrou-se muito confuso quando, numa entrevista, lhe foi pedida a opinião sobre as políticas do Presidente Barack Obama em relação ao conflito na Líbia. Cain atrapalhou-se ao longo de uns cinco minutos entre pausas e dúvidas para encontrar uma resposta.
Começando por respirar fundo e fazendo uma longa pausa, em frente ao jornalista do Milwaukee Journal Sentinel, Cain tenta perceber aquilo que lhe é perguntado: “Bem, a Líbia...”.
E esforça-se então em conseguir do repórter a confirmação de estar no caminho certo: “O Presidente Obama apoiou a rebelião, certo? O Presidente Obama exigiu o afastamento de [Muammar] Khadafi, não foi...? Estou só a tentar ter a certeza de que estamos a falar da mesma coisa antes de dizer se concordo ou se não concordo...”
Cain – a quem é amiúde apontado não ter “estatura presidenciável” apesar de seguir à frente nas sondagens entre os candidatos republicanos – lá lança então que não está de acordo com as políticas adoptadas por Obama e “pelas seguintes razões”, que não chega a enunciar antes de encolher os ombros, revirar os olhos e dizer “esperem, essa é outra”. “Tenho de ir ver melhor... sabem tenho estas coisas todas baralhadas na cabeça”.
Um vídeo com os cinco minutos durante os quais Cain tenta responder e defender as suas ideias de política externa nesta entrevista tornou-se viral na Internet, evocando comparações com o momento de “perda de memória” de outro candidato republicano, Rick Perry – que, num debate na semana passada, se esqueceu do nome de uma das três agências federais que propunha eliminar.
A atrapalhação sobre a Líbia não é, aliás, o primeiro percalço de Cain em declarações de política externa, já descritas como “simplistas” e “amalucadas” por alguns dos influentes comentadores políticos dos Estados Unidos.
Até no mesmo dia da entrevista ao jornal de Milwaukee, segunda-feira, o candidato às primárias republicanas foi citado sugerindo que a maioria dos muçulmanos norte-americanos são extremistas e, antes, admitindo negociar com a Al-Qaeda ou outra organização terrorista a libertação dos presos de Guantánamo em troca de soldados americanos.
Mesmo assim – e mais ainda com a série de acusações de assédio sexual que ensombra a sua candidatura há semanas – Cain prossegue, desde meados de Outubro, na frente das consultas de opinião, com 18 por cento das intenções de voto nas primárias republicanas, que começam em Janeiro próximo. O seu principal rival, Mittt Romney acumula 15 por cento.



