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Antigo governante defende solução negociada

Henry Kissinger: "Ocupação militar do Irão seria um pesadelo"

12.05.2006 - 16:32

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Henry Kissinger, que foi recebido em Belém por Cavaco Silva, considera imperativo impedir a proliferação nuclear Henry Kissinger, que foi recebido em Belém por Cavaco Silva, considera imperativo impedir a proliferação nuclear (André Kosters/Lusa)
O antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger defendeu hoje, em Lisboa, uma saída negocial para a crise nuclear iraniana porque "a ocupação militar do Irão seria um pesadelo".

"O Presidente do Irão pode estar a fazer propaganda, pode estar disposto a negociar". As ameaças ao Ocidente são "a sua forma de mostrar uma posição de força como prenúncio de negociações. De qualquer maneira, a única forma de se saber é abrindo um processo negocial", defendeu.

Kissinger, convidado do 8º almoço anual do site Diário Digital, que decorreu num hotel em Lisboa, considera "imperativo impedir a proliferação nuclear".

No entanto, apesar de "ninguém querer a guerra", o mundo ocidental não pode aceitar "que as conversações prossigam indefinidamente".

"A certa altura, temos de perceber se estamos a ter êxito ou não nas negociações. Ninguém quer ir para a guerra: mas este é o desafio mais importante que temos perante nós", sublinhou.

Kissinger espera regresso à normalização em Timor-Leste

Já à saída de um encontro com o Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém, Henry Kissinger formulou o desejo de que a situação em Timor-Leste acalme, porque o país "já sofreu o suficiente".

Os confrontos com as forças da segurança no final de Abril provocaram cinco mortos e o êxodo da população para as montanhas.

Kissinger, que foi uma das mais influentes personalidades da política externa norte-americana da década de 1970 (era secretário de Estado da Administração de Richard Nixon quando se deu o 25 de Abril de 1974), manifestou também a sua satisfação por ver "como a transição demorou tão pouco tempo" em Portugal.

"Quando se olha hoje para o país parece que a democracia esteve aqui desde sempre", referiu, lembrando os "tempos turbulentos de 1974 e 1975", quando chegou a defender que Portugal estava "perdido" para os comunistas e que isso seria "uma vacina" para outros países como Itália e Espanha.

O ex-secretário de Estado ofereceu a Cavaco Silva uma edição especial do seu livro "Diplomacia".

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