Hamas recusa libertar soldado israelita Gilad Shalit em troca de trégua em Gaza

13.05.2008 - 10:33 Por AFP
O movimento islamista Hamas excluiu hoje a hipótese de libertar o soldado israelita Gilad Shalit detido na Faixa de Gaza, no quadro de um eventual acordo de trégua, como exige Israel.
"Aqueles que pensam que a questão Shalit ficará resolvida sem contrapartidas, está totalmente enganado (...) A questão de uma troca de prisioneiros está totalmente separada da questão da trégua", afirmou o mais influente dos chefes do Hamas na Faixa de Gaza, Mahmoud Zahar.
Ontem, durante uma visita a Israel do chefe dos serviços de segurança egípcios, Omar Souleiman, o primeiro-ministro israelita Ehud Olmert tinha deixado antever a ligação entre uma trégua e os progressos registados na operação de libertação do soldado israelita, capturado por um comando palestiniano em 2006, em Gaza.
O emissário egípcio tenta fazer aderir os responsáveis israelitas a um projecto de tréguas na Faixa de Gaza - negociado pelo Egipto e no qual participariam os principais grupos armados palestinianos, nomeadamente o Hamas - ao qual deram luz verde em Abril.
Mahmoud Zahar repetiu as "exigências" dos grupos palestinianos a fim de se chegar a uma situação de "acalmia": "o fim das agressões e o fim de todas as formas de cerco ao povo palestiniano". "Se Israel não aceitar a trégua, nós vamos defender-nos e ninguém poderá esmagar a resistência", advertiu.
O Exército israelita leva a cabo ataques quase quotidianos contra a Faixa de Gaza e impõe um bloqueio ao território, controlado desde o Verão do ano passado pelo Hamas, em represália pelo lançamento de "rockets" palestinianos contra localidades do sul de Israel.
Para além do fim dos ataques israelitas, o Hamas espera o levantamento do bloqueio imposto por Israel e a reabertura dos locais de passagem entre os dois territórios, nomeadamente o de Rafah, na fronteira com o Egipto. Israel exige, por seu lado, progressos na questão Gilad Shalit, o fim dos ataques dos grupos armados palestinianos contra o seu território e o fim do contrabando de armas entre a península egípcia do Sinai e a Faixa de Gaza.

