Hamas diz que vai lidar de modo “positivo” com plano norte-americano para a paz entre israelitas e palestinianos

13.08.2009 - 22:34 Por Maria João Guimarães
O movimento islamista Hamas diz que está preparado para lidar “de um modo positivo” com um plano de paz norte-americano para o Médio Oriente, afirmou ontem Yousef Rizka, um alto responsável do primeiro-ministro Ismail Haniyeh.
Obama preparar-se-á para apresentar em breve a sua iniciativa de paz israelo-palestiniana, nota o diário hebraico em Inglês "Jerusalem Post". Este incluirá reforço das sanções contra o Hamas, a facção palestiniana que domina a Faixa de Gaza, se este não responder favoravelmente à iniciativa.
As sanções estão em vigor desde que o Hamas venceu as eleições palestinianas de Janeiro de 2006 e se recusa a aceitar o direito à existência do Estado de Israel.
Mas o movimento já tinha, através do seu líder exilado na Síria Khaled Meshaal e do seu primeiro-ministro em Gaza Ismail Haniyeh, pedindo a criação de um Estado palestiniano nas fronteiras de 1967 — e não exigindo, como até então, toda a Palestina.
Hoje, o colaborador de Haniyeh repetiu que o Hamas aceitará uma solução de dois Estados, “mas apenas em troca de uma trégua de longo termo com Israel”.
“O plano [de Obama] deve prever um Estado palestiniano com Jerusalém como sua capital”, disse. “O Hamas estudará o plano em profundidade quando este for apresentado”.
Este é mais um sinal do movimento islamista, que tem vindo a abandonar a sua retórica mais belicista a favor de uma posição mais responsável de quem está no poder.
Recentes exemplos são a inauguração por Haniyeh de um estádio em Gaza (onde ele até jogou um pouco de futebol), pelos esforços na produção cultural em Gaza, com subsídios para filmes e teatro, ou até pela candidatura ao Guiness de milhares de crianças de Gaza a lançarem papagaios. Isto, claro, depois da mudança fundamental que foi participar nas eleições, jogando pelas regras dos Acordos de Oslo, de 1993.
Mas apesar das alterações de sinais do Hamas, notava um artigo na revista "Foreign Affairs", a reacção ocidental não mudava: sanções até que acontecesse o reconhecimento de Israel.
Enquanto isso, a Fatah, os rivais seculares do Hamas, que têm o poder na Cisjordânia, recusaram-se, na recente conferência em Belém, a apagar dos seus princípios a possibilidade de recurso à luta armada, caso falhem conversações de paz com Israel.
O facto da Fatah, o parceiro preferido do Ocidente para negociações com Israel, manter esta linguagem causou protestos do Governo israelita. Mas analistas dizem que a Fatah manteve esta hipótese para não perder popularidade para o Hamas.


