Hamas apoia iniciativa egípcia mas mantém condições para aceitar trégua

14.01.2009 - 20:50 Por PÚBLICO, com agências
O Hamas mostrou-se favorável ao plano egípcio para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, mas diz que alguns pontos devem ser clarificados. O anúncio oficial surge depois de fontes diplomáticas terem revelado que o movimento aceitara a proposta para o fim dos combates.
“O movimento apresentou a sua visão detalhada [do plano] à liderança egípcia, para que ela possa continuar a sua busca pelo fim da agressão e pôr fim à injustiça feita ao nosso povo na faixa de Gaza”, declarou Salah al-Bardawil, um dos dirigentes do Hamas que hoje esteve no Cairo. Bardawil acrescentou que o Governo egípcio “vai discutir agora com o agressor [Israel] para conseguir os objectivos pretendidos”.
Sem nunca dizer claramente se o Hamas aceita a proposta de cessar-fogo, o dirigente garantiu o partido “não tem divergências com o Egipto” – país que em conjunto com a França elaborou a proposta – mas entende que várias cláusulas têm de ser clarificadas: “Não estamos a falar de emendar a proposta, que foi apresentada pelo Presidente egípcio, mas ela incluiu muitas frases e cada um dos lados tem o direito de apresentar a sua opinião e interpretação dessas frases”.
Bardawil não quis especificar quais os pontos que ainda merecem reservas ao Hamas, limitando-se a adiantar quais as condições que impõe para aceitar o cessar-fogo: a retirada imediata das tropas israelitas, o fim do bloqueio à Faixa de Gaza, a reabertura de todos os postos fronteiriços e compensações pela destruição das infra-estruturas e habitações do território.
As declarações de Bardawil vieram arrefecer os ânimos depois de fontes diplomáticas egípcias terem revelado, a meio da tarde, que o Hamas dera o seu aval ao plano de cessar-fogo, que prevê a suspensão imediata das hostilidades, seguida de conversações para o fim do bloqueio israelita e a reabertura das fronteiras da Faixa de Gaza. “Temos o acordo do Hamas e esperamos agora uma resposta de Israel”, contou à AFP um diplomata egípcio, que pediu para não ser identificado, recordando que o general Amos Gilad, principal negociador israelita, é esperado amanhã no Cairo.
Também o chefe da diplomacia espanhola, Miguel Moratinos, que se encontra em visita à região, deu como certo o aval do Hamas à proposta de cessar-fogo. “Um dos objectivos foi cumprido. Conseguimos, juntamente com outros intervenientes, o apoio do Hamas à iniciativa egípcia”, declarou Moratinos, citado pelo diário “El País”.
Contudo, um dirigente do movimento islamista negou, pouco depois, a existência de um acordo, ao explicar que existiam ainda divergências sobre a concretização do plano.
Entre outros aspectos, o movimento está relutante em aceitar uma trégua prolongada com Israel e em permitir que a fronteira com o Egipto seja policiada pelas forças da Autoridade Palestiniana, liderada por Mahmoud Abbas, dirigente da Fatah.

