O movimento radical islâmico Hamas, vencedor nas eleições legislativas palestinianas, rejeitou hoje as condições apresentadas pelo Quarteto para o Médio Oriente - Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU -, considerando que estas “servem os interesses de Israel e não do povo palestiniano”.
“As condições propostas pelo Quarteto constituem pressões que servem os interesses de Israel e não do povo palestiniano”, disse à AFP Mosheer al-Masri, porta-voz do Hamas e deputado do movimento.
Esta noite, em Londres, o Quarteto condicionou a continuação das ajudas internacionais à Autoridade Palestiniana ao final da violência na região, ao reconhecimento de Israel e ao respeito do “Roteiro de paz” para o Médio Oriente, como anunciou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Porém, o Hamas rejeita o facto de terem sido impostas condições que podem vir a impossibilitar a ajuda internacional aos palestinianos. “O problema principal é a ocupação [israelita] e não a escolha democrática realizada pelo povo palestiniano”, sustentou Mosheer al-Masri.
O responsável do Hamas garantiu que se ajuda internacional continuar a chegar aos palestinianos, “o próximo Governo fará tudo para que o seu uso seja controlado pela lei e não pela corrupção”. “Exigimos à comunidade internacional que respeite o resultado das eleições. Da nossa parte estamos dispostos e uma cooperação com o mundo”, continuou o porta-voz do Hamas.
O Hamas conseguiu nas eleições 74 lugares no Parlamento palestiniano, à frente da Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmmud Abbas, que irá ocupar 45 assentos. Mas a vitória do Hamas lançou uma nova sombra sobre o processo de paz no Médio Oriente, já que o movimento não reconhece a existência do Estado de Israel e garante que não irá renunciar à luta armada.
Porém, segundo o secretário-geral da ONU, se o Hamas alterar a sua posição poderá contar com o apoio da comunidade internacional. “Se o Hamas conseguir transformar-se de um movimento armado para um partido político, respeitando as regras do jogo, penso que a comunidade internacional estará apta a trabalhar com ele”, afirmou o alto responsável no final do encontro do Quarteto.
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