Haiti: OMS estima 40 a 50 mil mortos, mas há quem fale em 200 mil

17.01.2010 - 10:14 Por PÚBLICO, com agências
O sismo que abalou o Haiti na terça-feira causou entre 40 a 50 mil mortos, segundo as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), citados numa nota divulgada hoje pelas Nações Unidas.
Entretanto, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, já chegou à capital haitiana para avaliar pessoalmente a magnitude dos danos do terramoto de terça-feira e impulsionar a ajuda internacional para o Haiti.
A OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde “estimam que o número de mortos situa-se entre 40 e 50 mil”. O comunicado sobre o Haiti foi divulgado pelo Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU. Estes números confirmam o último balanço das autoridades haitianas que dava conta de 50 mil mortos. O número de feridos chega aos 250 mil e haverá 1,5 milhões de pessoas sem-abrigo.
Também uma fonte das Nações Unidas informou hoje que cerca de 60 por cento das zonas que foram atingidas pelo forte abalo já foram alvo de uma inspecção por parte das equipas de socorro. E, apesar do elevado número de mortos, já foi possível resgatar 70 pessoas ainda com vida – um número elevado tendo em conta que o sismo aconteceu na terça-feira e que fez ruir quase todos os edifícios.
Neste momento estão no local mais de 40 equipas de salvamento, o que perfaz um total de 1800 pessoas. Apesar de o tempo estar a passar, a ajuda internacional ainda acredita que poderá retirar pessoas vivas dos destroços. Contudo, a principal preocupação volta-se agora para os milhares de feridos e para a falta de profissionais de saúde e de material para os tratar.
No entanto, já foram avançados outros números sobre a catástrofe e nem todos coincidem com a estimativa da ONU. De acordo com o Presidente do país, René Préval, o sismo causou pelo menos 50 mil mortos, 250 mil feridos e 1,5 milhões de desalojados. Já o primeiro-ministro haitiano, Jean-Marc Bellerive, adiantou, por seu lado, que foram sepultadas cerca de 50 mil vítimas mortais do sismo.
E, tendo em conta que há inúmeros corpos soterrados e muitos feridos por tratar, o número será quase de certeza ultrapassado. “Antecipamos que vão haver entre 100 mil e 200 mil mortos no total”, explicou o ministro do Interior, Paul Antoine.
A confirmarem-se as piores previsões, o sismo de magnitude sete na escala de Richter pode vir a ser considerado um dos dez mais mortíferos de sempre, a par com o tsunami que varreu o Sri Lanka e que ceifou 250 mil vidas.
Médicos Sem Fronteiras impedidos de aterrar
O avião dos Médicos Sem Fronteiras que transportava profissionais de saúde e vários materiais para ajudar a tratar dos feridos foi hoje impedido de aterrar em Port-au-Prince, no Haiti, por o aeroporto estar demasiado congestionado. Em comunicado, a organização explica que o avião transportava material cirúrgico vital para os milhares de pessoas que necessitam de apoio médico urgente. “Devia ser dada prioridade imediata aos aviões que transportem equipamento de salvamento e pessoal médico”, lê-se na nota dos Médicos Sem Fronteiras.
Ainda de acordo com a mesma fonte, apesar das garantias dadas pelas Nações Unidas e pelo departamento de Defesa norte-americano, o avião foi impedido de aterrar no país e acabou por ter de regressar à República Dominicana, onde ainda se encontra. O material será transportado em camiões, mas a associação explica que esta forma de transporte fará com que o hospital que iriam montar chegue ao Haiti com 24 horas de atraso – uma espera demasiado longa e que poderá aumentar ainda mais o número de mortos.


