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Guterres quer maior envolvimento da China no apoio aos refugiados em África

20.03.2006 - 13:39 Por Lusa

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O tratamento de Pequim aos refugiados da Coreia do Norte em território chinês será outro tema que marcará a agenda de todos os contactos oficiais entre Guterres e o Governo chinês O tratamento de Pequim aos refugiados da Coreia do Norte em território chinês será outro tema que marcará a agenda de todos os contactos oficiais entre Guterres e o Governo chinês (Lusa (arquivo))
O alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres, debateu hoje com o Governo chinês uma maior participação da China em operações de resposta rápida em África, disse hoje à Lusa um porta-voz da agência.

"Seria interessante para nós ver a China mais envolvida em operações de resposta rápida, em regiões como África, por exemplo, onde o ACNUR faz muito trabalho e onde a China tem muita experiência de cooperação", disse à Lusa Ron Redman, porta-voz do ACNUR.

António Guterres, que viaja a convite do Governo chinês, debateu hoje a questão no encontro com responsáveis do ministério de Segurança Pública da China, que Redman se recusou a identificar, e discutirá o tema com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Li Zhaoxing, e com o vice-ministro dos Assuntos Civis, ao longo da visita de cinco dias que termina na quinta-feira.

Segundo Redman, Guterres e os representantes chineses debateram a maior participação chinesa em missões de apoio aos refugiados, "em especial nos casos de grandes catástrofes naturais, em que a China tem grande experiência".

O tratamento de Pequim aos refugiados da Coreia do Norte em território chinês será outro tema que marcará a agenda de todos os contactos oficiais entre Guterres e o Governo chinês, afirmou Redman.

"É seguro dizer que, durante os encontros com os altos responsáveis governamentais chineses, a questão dos refugiados norte-coreanos foi e será debatida", disse o porta-voz do ACNUR.

Vivem na China cerca de 300 mil refugiados da Coreia do Norte, escondidos das autoridades, à espera de oportunidade para encontrar asilo em consulados e embaixadas estrangeiras na China, após o qual poderão obter o estatuto de refugiados políticos.

A China, um dos poucos países aliados do regime da Coreia do Norte, recusa-se a considerar estes norte-coreanos como refugiados, tratando-os como emigrantes ilegais que, quando descobertos, são presos e deportados para a Coreia do Norte, onde sofrem penas de prisão ou penas de morte.

Redman não revelou o conteúdo das conversações entre Guterres e os responsáveis chineses, mas o ACNUR já disse "esperar um diálogo construtivo" em relação aos norte-coreanos.

Há cerca de um ano, a agência pediu à China permissão para entrevistar os cidadãos norte-coreanos antes de serem repatriados, para possível atribuição do estatuto de refugiados políticos, um pedido que Pequim recusou.

António Guterres encontrou-se também hoje com o vice-ministro do Comércio chinês, Gao Hucheng, a quem manifestou a disponibilidade do ACNUR para comprar à China bens utilizados em operações de apoio a refugiados.

"Em cada operação de apoio, o ACNUR precisa, por exemplo, de quantidades enormes de cobertores e tendas, que têm de ser produzidos e entregues imediatamente, e a China tem capacidade para o fazer", disse Redman.

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