Durante os combates da última madrugada

Guerrilha curda anuncia captura de vários soldados turcos

21.10.2007 - 14:27 Por PUBLICO.PT, Agências

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Os rebeldes surpreenderam os militares turcos com uma emboscada junto à fronteira Os rebeldes surpreenderam os militares turcos com uma emboscada junto à fronteira (Yilmaz Kazandioglu/Reuters)
A guerrilha separatista curda anunciou hoje a captura de um grupo de soldados turcos durante os combates da última madrugada na fronteira entre o Iraque e a Turquia que, segundo o último balanço, terão provocado a morte a pelo menos 12 militares e 23 rebeldes.

“Na noite passada, as tropas turcas tentaram infiltrar-se na zona de Hakkari. Registaram-se combates intensos durante os quais matámos um grande número [de militares] e fizemos vários prisioneiros”, declarou Abdel Rahman al-Chadirchi, responsável pelas relações externas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), em declarações à AFP a partir de Erbil, no Norte do Iraque.

Hakkari é uma província do sudeste da Turquia, junto à fronteira com o Iraque, mas o porta-voz da guerrilha curda não revelou se os militares foram capturados em território turco ou iraquiano, quando perseguiam os combatentes.

Fontes militares turcas admitiam esta manhã que pelo menos uma dezenas de soldados turcos continuava desaparecida após os combates.

A versão dos separatistas curdos contraria as informações divulgadas pelo Exército turco, segundo o qual os combates foram desencadeados por uma emboscada contra uma patrulha militar no sudeste da Turquia, junto à fronteira iraquiana. Ancara confirmou 12 baixas entre as suas tropas, mas os rebeldes garantem ter abatido 16 militares e ferido outros 20.

Algumas horas depois do ataque, a artilharia turca estacionada junto à fronteira disparou vários obuses contra o Curdistão iraquiano, onde Ancara acredita estarem refugiados mais de 3500 elementos do PKK, organização armada que luta desde 1984 pela criação de um Estado de maioria curda no Sudeste da Turquia.

A artilharia “bombardeou 63 alvos” na região, lê-se num comunicado colocado no site do Estado-Maior do Exército turco. Os rebeldes confirmaram os disparos, mas garantem que o ataque não provocou vítimas.

Confrontos aumentam tensão

Apesar de relativamente frequentes, os confrontos fronteiriços vêm aumentar ainda mais a tensão na região, dias depois do Parlamento turco ter autorizado o Governo a lançar, quando considerar apropriado, uma ofensiva contra o Curdistão iraquiano a fim de eliminar as bases da guerrilha.

A ameaça está a preocupar as autoridades iraquianas e norte-americanas, que temem a abertura de uma nova frente de guerra numa zona até aqui poupada à violência que devasta o país. Esta manhã, o Parlamento iraquiano aprovou uma moção que condena a ameaça da Turquia, ao mesmo tempo que insta o Governo iraquiano a pôr fim às operações do PKK em território nacional.

Esta manhã, o líder do governo autónomo do Curdistão, Massoud Barzani, afirmou que as suas forças não iriam tomar partido nestes confrontos, mas não irão ficar paradas em caso de uma incursão turca ou de ataque contra alvos civis. "Se a região do Curdistão for atacada, então teremos de defender os nossos cidadãos", afirmou, no final de um encontro com o Presidente iraquiano, Jalal Talabani, também ele de etnia curda.

Por seu lado, Talabani lamentou a "escalada injustificável" levada a cabo pelas tropas turcas e admitiu que, ao contrário do que promete o Governo iraquiano, será impossível entregar a Ancara os líderes do PKK que se encontram "entrincheirados nas montanhas acidentadas do Curdistão".

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