Guantánamo: tanzaniano acusado por atentado contra embaixada dos EUA em Dar-es-Salam

31.03.2008 - 17:23 Por PÚBLICO, Agências
Um cidadão tanzaniano detido no presídio militar de Guantánamo, em Cuba, foi hoje formalmente acusado de envolvimento no atentado contra a embaixada norte-americana no país, em 1998, anunciou o Pentágono, revelando que irá pedir a pena de morte em caso de condenação.
Ahmed Khalfan Ghailani, um alegado membro da Al-Qaeda, capturado no Paquistão em 2004, é acusado pela justiça militar americana de um total de nove crimes por homicídio, conspiração para cometer ataques contra civis e apoio material a organizações terroristas.
“Seis das acusações prevêem como máximo a pena de morte e o procurador chefe recomendou que este caso seja tratado como capital, por isso iremos tratá-lo como um caso de pena de morte”, explicou o brigadeiro Thomas Hartmann, conselheiro legal do presídio de Guantánamo.
O atentado contra a embaixada dos EUA em Dar-es-Salam, a 7 de Agosto de 1998, provocou a morte a 11 pessoas e feriu outras 85. No mesmo dia e praticamente à mesma hora, a Al-Qaeda atacou a representação americana em Nairobi, no Quénia, matando 213 pessoas.
No ano passado, durante uma audiência preliminar nos tribunais militares criados para julgar os detidos em Guantánamo – oficialmente classificados como “combatentes inimigos” – Ghailani admitiu ter comprado explosivos e um telemóvel para um dos autores do ataque, mas garantiu desconhecer o fim a que se destinavam.
O tanzaniano admitiu ainda ter estado presente quando um terceiro elemento comprou o camião que viria mais tarde a ser carregado com os explosivos e lançado contra o muro que protegia a embaixada em Dar-es-Salam.
A acusação alega, porém, que ele participou no planeamento dos atentados, tendo inclusivamente vigiado a embaixada antes dos atentados, e sublinha que ele fugiu do país dias antes de consumado o ataque.
Os crimes propostos pela acusação militar terão ainda de ser aprovadas pelo responsável nomeado pelo Pentágono para acompanhar os tribunais militares especiais de Guantánamo. Só depois terá lugar o julgamento.
Dos mais de 300 detidos em Guantánamo – incluindo combatentes extremistas capturados no Afeganistão e suspeitos detidos em seis anos de “guerra contra o terrorismo” – são poucos os que até agora foram formalmente acusados, uma situação que tem sido denunciada pelas organizações de defesa dos direitos humanos, que pedem o encerramento do presídio e a transferência dos detidos para prisões nos EUA.


