O presidente da Câmara de Bagdad diz ter sido deposto por homens armados num golpe das Brigadas Badr, braço armado do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (CSRII), um dos mais importantes partidos xiitas do país. As rivalidades entre grupos xiitas e o descontentamento dos cidadãos conduziram a uma crise idêntica em Samawa.
De acordo com Alaa al-Tamimi, engenheiro secular sem filiação partidária, 120 homens armados entraram segunda-feira no seu escritório e colocaram no seu lugar Hussein al-Tahhan, do CSRII, que era já governador da província. "Actos como este representam um precedente muito perigoso num país que quer ser livre e democrático", acusou Tamimi em declarações à Reuters.
"Este é o novo Iraque. Usam a força para conseguir os seus objectivos", tinha dito Tamimi na véspera ao New York Times. "Se quiséssemos fazer-lhe algum mal já tínhamos feito. Queremos estabelecer um estado de direito para cada cidadão e não ameaçámos ninguém", diz ao mesmo jornal Mazen A. Makkia, do CSRII.
Bagdad voltou a ser palco de diferentes ataques: um suicida fez-se explodir matando seis pessoas e ferindo 14, e a explosão de uma bomba matou um polícia e feriu seis pessoas.
Em Samawa centenas de pessoas pediram a demissão do governador por causa da ausência de melhorias na distribuição de água e electricidade. A polícia abriu fogo e matou um manifestante, ferindo 40. Um dia depois, os membros do conselho de província votaram para demitir Mohammed al-Hassaani, apoiado pelo SCRII, que recusou.
"As pessoas deram-lhe uma semana para sair e já passaram dois dias", avisou ontem, em Bagdad, o porta-voz do radical xiita Moqtada al-Sadr. Residentes disseram à Reuters que a sua milícia encheu as ruas no dia do protesto, disparando contra a polícia.


