Vários líderes políticos e organizações internacionais manifestaram-se hoje contra a condenação à morte do antigo Presidente iraquiano Saddam Hussein e apelaram à comutação da sentença.
"A Itália é contra a pena de morte e mesmo num caso tão complicado como o de Saddam, pensamos que não deve ser aplicada", afirmou o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, após um encontro com o seu homólogo britânico.
Tony Blair lembrou que também o Reino Unido é contra a pena de morte, "seja para Saddam ou para qualquer outro".
Blair limitou-se a afirmar que o julgamento de Saddam foi "uma recordação clara" da "barbárie" cometida pelo antigo regime iraquiano e mostrou "qual a via para o futuro do povo iraquiano".
Perante a insistência dos jornalistas, o primeiro-ministro britânico - principal aliado dos EUA no Iraque - chegou mesmo a irritar-se, remetendo mais explicações para o comunicado emitido ontem pela ministra dos Negócios Estrangeiros britânica.
Margaret Beckett congratulou-se com a condenação do ex-Presidente iraquiano, denunciando "os crimes hediondos" cometidos durante o seu regime e distanciou-se dos seus parceiros europeus ao não pedir a comutação da pena de morte.
União Europeia frisa condenação da pena de morte
Numa nota emitida ontem, a presidência finlandesa da União Europeia (UE) saudou também a condenação de Saddam, mas sublinhou que se opõe à pena de morte.
Esta declaração foi subscrita pela grande maioria dos dirigentes europeus, como foi o caso do Presidente português, Cavaco Silva. "Pessoalmente, também sou contra a pena de morte e identifico-me plenamente com a declaração comum da União Europeia em que se apela para que a pena de morte a Saddam Hussein não seja executada", afirmou hoje, em declarações à Lusa.
Também hoje, o Conselho da Europa assumiu a mesma posição, sustentando que a execução do antigo ditador será um erro. "Saddam foi um ditador implacável e deve pagar pelos seus crimes, mas executá-lo é fútil e errado. O que o povo iraquiano precisa é de justiça, de não vingança", afirmou Terry Davis, secretário-geral da assembleia parlamentar da organização europeia. "Um país devastado pela violência não precisa de mais violência, especialmente de uma execução organizada pelo Estado. Saddam é um criminoso e não devemos permitir que se torne num mártir", acrescentou.
Estados americanos preocupados com consequências da sentença
Também a Organização de Estados Americanos (OEA) mostrou-se preocupada com as consequências que a execução poderá trazer. "Tendo em conta a situação no Iraque, isso será um novo factor de violência interna", afirmou o secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, sustentando que, "apesar dos crimes cometidos por Saddam, a sua execução não irá alterar nada".
O antigo ditador iraquiano foi ontem condenado à morte por enforcamento por ter ordenado a execução de 148 habitantes da localidade xiita de Dujail, nos anos 80. A execução terá de ser aplicada até 30 dias após ser confirmada por uma instância de recurso, pelo que Saddam poderá não sobreviver para responder nos outros processos em que é arguido.


