O Governo do Paquistão disse hoje estar disposto a exumar o corpo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada na quinta-feira, se o seu partido assim o desejar, para determinar as causas exactas da sua morte.
“Estamos dispostos a exumar o corpo de Benazir Bhutto para investigação se o seu partido o desejar”, declarou o porta-voz do Ministério do Interior, Javed Cheema, em conferência de imprensa.
“Mas o mais importante não é saber o que a matou – uma bala, a explosão ou qualquer outra coisa – mas sim quem a matou”, acrescentou.
Cheema disse ainda que o Governo paquistanês não precisa da ajuda estrangeira para apurar as causas da morte de Bhutto.
Ontem, o Governo de Islamabad afirmou que Benazir Bhutto não morreu devido a ferimentos de balas ou estilhaços de bomba, mas por bater com a cabeça no carro, citando os médicos que realizaram a autópsia.
Mas hoje, a porta-voz da ex-primeira-ministra insistiu que Bhutto foi atingida por uma bala, na cabeça. "Vi que ela tinha um ferimento de bala na parte de trás da cabeça e um outro, causado pela saída da bala, de lado", disse Sherry Rehman.
"É ridículo (...), é uma tentativa de mascarar a verdade", comentou Rehman. Segundo a porta-voz, os responsáveis do hospital terão sido aconselhados a alterar a sua versão. "Não deram o relatório original" da autópsia.
O Partido do Povo Paquistanês (PPP), principal movimento de oposição dantes liderado por Benazir Bhutto, acusa o Governo de Pervez Musharraf de ter "assassinado" Bhutto ao recusar-lhe as condições de segurança necessárias, depois de ter recebido ameaças de morte. A 18 de Outubro, Bhutto foi alvo de um atentado em Carachi que fez 139 mortos. Para o Governo, o atentado tem a marca da rede terrorista Al-Qaeda. Existe "uma prova irrefutável" de que a rede de Ossama bin Laden "tenta desestabilizar o Paquistão", considerou Javed Cheema, o porta-voz do Ministério do Interior.
No segundo de três dias de luto nacional estão encerradas quase todas as lojas, restaurantes e bombas de gasolina nas grandes cidades paquistanesas.
Desde a morte de Bhutto já morreram 38 pessoas (40 segundo a agência Reuters) em confrontos nas ruas. Só para Carachi foram mobilizados dez mil soldados.
Horas depois da manifestação que concentrou hoje dez mil pessoas contra Pervez Musharraf, o Presidente paquistanês ordenou às forças de segurança para mostrarem "firmeza" face aos revoltosos.



