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Avança o diário "La Repubblica"

Governo italiano pagou milhões de dólares pela libertação de reféns

30.01.2006 - 13:28 Por AFP, PUBLICO.PT

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Giuliana Sgrena quando ainda estava nas mãos dos raptores Giuliana Sgrena quando ainda estava nas mãos dos raptores (DR)
O Governo de Silvio Berlusconi pagou milhões de dólares de resgates para conseguir a libertação de reféns italianos no Iraque, apesar da oposição de Washington em relação a esta prática, avança a edição de hoje do diário “La Repubblica” que cita um relatório oficial.

Segundo um relatório escrito pelos serviços de antiterrorismo dos “carabinieri” (ROS), foram entregues aos raptores vários milhões de dólares no decorrer das negociações que permitiram a libertação de duas funcionários de organizações humanitárias, Simona Pari e Simona Torretta, em Setembro de 2004, assim como para a libertação da jornalista Giuliana Sgrena, em Março de 2005.

O relatório aponta como intermediário das negociações um religioso sunita, Abdel Salam Al Kubaissi, “que teve um papel de destaque” no rapto de quatro guarda-costas italianos, em Abril de 2004, das duas funcionárias de organizações humanitárias, de dois jornalistas e de uma cidadã britânica, Margaret Hassan.

Um dos quatro guarda-costas, Fabrizio Quattrocchi, o jornalista Enzo Baldoni e a cidadã britânica Margaret Hassan foram todos mortos pelos seus raptores.

O relatório dos carabinieri cita o testemunho de um iraquiano detido por ter participado no rapto de Giuliana Sgrena, segundo o qual foi paga “uma soma considerável” para a sua libertação.

A libertação dramática de Sgrena, na qual o agente dos serviços secretos italianos Nicola Calipari perdeu a vida depois de ter sido atingido por tiros de uma patrulha norte-americana, suscitou muita polémica na Itália.

Roma sempre desmentiu o pagamento de qualquer quantia pela libertação dos seu reféns no Iraque, uma prática condenada pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha.

O relatório agora divulgado pelo “La Repubblica” baseia-se ainda nas conversas gravadas entre Abdel Salam Al Kubaissi e um médico iraquiano colaborador da Cruz Vermelha italiana, nas quais são referidos “os cinco milhões de dólares desembolsados” pela libertação das duas funcionárias de organizações humanitárias.

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