Campanha do "não" já reconheceu a derrota

Governo irlandês assume vitória do "sim" ao Tratado de Lisboa

03.10.2009 - 12:15 Por Sofia Lorena, Dublin

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O Governo já assumiu a vitória O Governo já assumiu a vitória (Cathal McNaughton/Reuters)
Os resultados provisórios de todas as regiões da Irlanda não deixam margem para dúvidas: o “sim” ao Tratado de Lisboa, chumbado pelos irlandeses num primeiro referendo, o ano passado, lidera com clara vantagem. O Governo já assumiu a vitória e alguns dos principais rostos da campanha do “não” já reconheceram a derrota.

O primeiro-ministro, Brian Cowen, congratulou-se pela aprovação “clara e categórica” do tratado. “É um bom dia para a Irlanda e um bom dia para a Europa.” Horas antes, o o seu ministro dos Negócios Estrangeiros fora o primeiro membro do Governo a festejar a vitória, dizendo-se “encantando pelo país”.

Com 22 círculos já fechados, o “sim” lidera em 20. Somando todos os votos contados, a vantagem é de 68,8 por cento. Também a participação parece ter sido superior à estimativa de 50 por cento avançada depois do encerramento das urnas, ontem às 22h00.

O Tratado de Lisboa foi rejeitado em Junho de 2008 por 53,4 por cento dos eleitores. Na altura votaram 53 por cento dos 3,1 milhões de eleitores.

Pouco depois das 13h00, Tipperany South foi o primeiro dos 43 círculos eleitorais do país a declarar o resultado: dos 33,195 votos contados, 22,712 tinham a cruz colocada no primeiro dos quadrados do boletim (TÁ/YES, em gaélico e inglês), e o “sim” venceu por 68,4 por cento. A seguir veio Kildare North, onde 76,2 por cento dos eleitores escolheu aprovar o tratado. E depois uma das excepções, Donegal North East, onde o “não” venceu com 51,5 por cento.

“Esta é uma vitória muito convincente”, reconheceu Declan Ganley, o empresário fundador do partido Libertas que se opõe ao Tratado Europeu e cuja campanha os analistas consideraram fundamental no chumbo de há 16 meses. Ganley acusa o Governo e o resto da campanha do “sim” - todos os partidos da oposição com excepção do Sinn Fein, mas também movimentos pró-vida como o Coir e algumas das maiores empresas do país - de ter jogado com os medos dos eleitores, afirmando que só o “sim” trataria empregos e recuperação a um país mergulhado na recessão.

“Parece um voto no ‘sim’. Estamos muito desapontados pela voz do povo não ter sido ouvida da primeira vez”, disse também Richard Greene, o porta-voz do movimento Coir (Justiça, em inglês), que defendeu o “não” em nome da protecção do salário mínimo irlandês, da Constituição do país ou sustentando que a Irlanda poderia ter de aprovar o aborto no futuro se Lisboa entrar em vigor.

Greene, tal como Ganley, tem estado a acompanhar a contagem na Royal Dublin Society, onde habitualmente se reúnem e contam os boletins de todos os eleitores da capital. Daí e do resto do país, os resultados seguem para o castelo da cidade, onde serão oficialmente anunciados às 17h30.

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Grapilho

03.10.2009 17:24

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