Irão responsabiliza EUA pela violência no país

Governo iraquiano pede fim das ingerências dos países vizinhos

10.03.2007 - 17:10

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Maliki foi o anfitrião do primeiro encontro entre representantes dos EUA, Síria e Irão Maliki foi o anfitrião do primeiro encontro entre representantes dos EUA, Síria e Irão (Sabah Arar/Reuters)
O primeiro-ministro iraquiano pediu hoje aos países vizinhos, entre eles a Síria e o Irão, para cessarem as ingerências no país – um apelo que foi sublinhado pelo embaixador norte-americano. O representante iraniano na conferência de Bagdad rejeitou qualquer responsabilidade, culpando Washington pela violência no Iraque.

“Pedimos aos países da região e aos outros para que cessem as ingerências e as tentativas para influenciar a situação política no Iraque, ao apoiar certos grupos religiosos, etnias ou organizações”, afirmou Nuri al-Maliki, na abertura da conferência que reuniu em Bagdad representantes de 17 organizações e países.

A ocasião marcou o primeiro encontro em vários anos entre representantes dos EUA, Síria e Irão, velhos rivais. Apesar da troca de recados, as delegações classificaram o encontro de “positivo”, admitindo ter mantido “contactos directos”.

De concreto, sabe-se apenas que delegações chegaram a acordo para a realização de uma nova conferência, desta feita a nível ministerial, mas não existe ainda um consenso sobre a data e o local do encontro. Foi também decidido criar “três grupos de trabalho”, para discutir formas de cooperação em matéria de segurança, refugiados e energia.

Quatro anos depois da invasão do Iraque, as forças do novo Governo iraquiano mostram-se incapazes de pôr fim à violência no país, apesar do apoio dos mais de 141 mil soldados enviados pelos EUA. Só no ano passado, 34 mil iraquianos morreram vítimas de acções violentas, segundo cálculos das Nações Unidas.

Ataque coincide com cimeira

Num sinal das dificuldades que as autoridades iraquianas enfrentam, três obuses de morteiro caíram a “cerca de 30 metros” do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraquiano, quando já decorria a conferência. O atentado não provocou vítimas, mas três quilómetros a norte, no subúrbio xiita de Sadr City, 26 pessoas, incluindo seis soldados iraquianos, morreram na explosão de um carro armadilhado.

“É preciso parar todas as formas de ajuda financeira, de incitação religiosa ou mediática, de apoio logístico ou de fornecimento de armas e combatentes que possam servir para matar as nossas crianças, mulheres e idosos ou para atacar as nossas mesquitas e igrejas”, insistiu Maliki.

O governante não citou nenhum país, mas falava na presença de representantes sírios e iranianos, dois dos países acusados pelos EUA de apoiarem os movimentos armados iraquianos. Nas últimas semanas, vários dirigentes iraquianos têm também apontado baterias à Arábia Saudita, conhecido financiador de movimentos extremistas sunitas.



Também o embaixador americano em Bagdad, Zalmay Khalilzad, instou os países vizinhos a porem fim ao envio de armas e combatentes para o Iraque. “Nenhum dos países representados nesta mesa retirará qualquer vantagem se o Iraque se desintegrar, bem pelo contrário”, afirmou, segundo uma transcrição divulgada à empresa.

Na resposta, o representante iraniano Abbas Araghtchi negou qualquer responsabilidade de Teerão na violência que devasta o país vizinho, atribuindo a crescente actividade da guerrilha à ocupação americana. Se os EUA “estabelecerem um calendário para a retirada das suas tropas do Iraque, isso contribuirá para resolver o problema da violência”, afirmou Araghtchi, garantindo que o seu país “está disposto a ajudar à paz e estabilidade no Iraque”.

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