O governo da Guiné-Bissau diz que os "incidentes" de ontem "já foram ultrapassados" e garante estar a acompanhar o evoluir do clima de tensão que se seguiu ao assassinato do antigo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), comodoro Lamine Sanha. No meio da agitação, grupos de jovens incendiaram a casa em construção do Presidente Nino Vieira. Um jovem terá sido morto a tiro pelas autoridades.
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do governo guineense, Rui Dia de Sousa, assegurou que a situação regressou à normalidade, salientando que o executivo de Aristides Gomes dará esclarecimentos sobre o que se passou hoje.
Fontes contactadas pela Lusa em Bissau garantiram que o centro da cidade e os bairros da periferia estão calmos e que os diferentes bares e discotecas estão abertos, não havendo quaisquer restrições ao tráfego automóvel.
Por precaução, alguns militares continuam as patrulhar as principais artérias do Bairro Militar, a sete quilómetros do centro de Bissau.
Os incidentes surgiram na sequência da morte, ontem, de Lamine Sanhá, baleado quinta-feira com quatro tiros disparados por desconhecidos.
Centenas de jovens moradores no Bairro Militar, onde a vítima residia, levaram a cabo uma onda de protesto, tendo erguido barricadas nas principais vias de acesso à zona e queimando pneus, tendo incendiado e saqueado a casa, ainda em construção, do Presidente guineense João Bernardo "Nino" Vieira.
Os jovens saquearam também a sede do Partido Popular (PP), força política sem representação parlamentar liderada por Ibrahima Sow, actual conselheiro presidencial.
Segundo a Reuters, a polícia guineense matou a tiro um do jovem que ontem saqueava, com outros, em Bissau, a casa de dois pisos a ser construída pelo Presidente. "Mande a sua tropa matar-nos, é o que estamos a pedir", diziam os manifestantes, enquanto saqueavam a casa.
Os incidentes terminaram cerca das 19h00 locais (mesma hora em Lisboa), após a intervenção de elementos do Exército e da Polícia, que disparou ainda vários tiros para o ar.
No entanto, fontes da própria polícia indicaram que, nos confrontos, pelo menos um jovem morreu e outros dois ficaram feridos, tendo sido transportados para o Hospital Simão Mendes, em Bissau, para receberem assistência, desconhecendo-se o seu estado de saúde.
O funeral de Lamine Sanhá, figura tida como muito próxima do falecido brigadeiro Ansumane Mané, líder da antiga Junta Militar que derrubou o regime de "Nino" Vieira na sequência da guerra civil de 1998/99, deverá decorrer hoje, em local a definir.
Os últimos incidentes graves na Guiné-Bissau registaram-se em Junho de 2005 entre manifestantes apoiantes de Kumba Ialá, que ficou excluído da segunda volta das presidenciais, e as forças policiais, que provocaram três mortos e cinco feridos.



