Governo francês vê “em queda” as manifestações e greves contra reforma das pensões

16.10.2010 - 13:06 Por PÚBLICO
Pela quarta vez desde a rentrée política, e segunda na mesma semana, os franceses saem hoje às ruas em contestação ao plano de reforma do sistema de pensões do Presidente, Nicolas Sarkozy, mas o Governo não parece impressionado.
Mais de 340 mil pessoas manifestam-se já em diferentes cidades do país – de acordo com a contagem feita pelo Ministério do Interior, que avalia este nível de participação “em queda” comparando com a mobilização observada nos protestos anteriores desde o início de Setembro. Estão convocados mais de 230 protestos para hoje, sendo esperada de novo uma adesão maciça dos estudantes.
O conflito social sobre a reforma de Sarkozy, que inclui a subida da idade mínima de reforma dos 60 para os 62 anos, tem vindo a endurecer com a continuação das manifestações. A paralisação a nível nacional afectou as refinarias – 10 do total de 12 no país estão agora paradas, comprometendo o funcionamento do oleoduto que alimenta os aeroportos –, alimentando receios de falhas de combustível nos aeroportos já a partir do início da próxima semana.
A ministra da Economia, Christine Lagarde, exortou hoje os franceses a “não entrarem em pânico” e asseverou que “não há falta de combustíveis”. “Temos combustível armazenado para várias semanas”, insistiu, indicando ainda que apenas “230 das três mil bombas de combustível [uns dois por cento da rede nacional]” estão em situação de ruptura total.
Pela manhã, a polícia voltou a evacuar depósitos de combustível bloqueados pelos grevistas – incluindo o de Rouen – depois de ter feito o mesmo na véspera em outros quatro. A greve está a afectar todos os transportes dentro e para fora do país, nomeadamente o comboio de alta de velocidade, assim como as escolas e empresas.
Mais de 57 por cento dos franceses quer que o Governo negoceie uma nova reforma do sistema de pensões, segundo sondagem publicada hoje, quando os sindicatos estão a apelar a uma nova jornada de mobilização maciça para terça-feira, véspera da votação da proposta de lei de Sarkozy no Senado.
Aprovada a 15 de Setembro pelos deputados, em primeira votação no Parlamento, o projecto legislativo subiu ao Senado para discussão a 5 de Outubro. Até à sua votação na câmara alta, o Governo pode ainda introduzir modificações ao texto – incluindo os artigos mais controversos, que sobem a idade da reforma e que fazem passar dos 65 para os 67 anos o gozo total de todos os benefícios de reforma adquiridos sem descontos.


