Oposição mantém controlo do sul do país

Governo do Quirguistão ameaça recorrer à força para pôr fim aos protestos

23.03.2005 - 18:13 Por AFP

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A polícia dispersou hoje manifestantes reunidos na capital para exigir a repetição das legislativas A polícia dispersou hoje manifestantes reunidos na capital para exigir a repetição das legislativas (Iuri Kochetkov/EPA)
O Governo do Quirguistão ameaçou hoje recorrer à força para restabelecer a sua autoridade sobre a totalidade do país, depois de a oposição ter assumido o controlo da parte sul do território.

"Para restabelecer a ordem constitucional no Quirguistão, a legislação autoriza os órgãos de segurança a utilizar a violência física", declarou o novo ministro do Interior, Kenechbek Diuchebaiev.

"As forças de segurança não utilizarão estes meios contra cidadãos pacíficos, mulheres, idosos ou crianças, mas sim contra cidadãos que ocupem pela força edifícios administrativos", acrescentou o ministro, numa referência aos apoiantes da oposição que controlam as principais cidades do sul do país.

O ministro afirma que os manifestantes estão a ser manipulados "por elementos criminosos", que têm por objectivo derrubar o poder e pilhar as instituições oficiais.

A contestação popular seguiu-se ao anúncio dos resultados oficiais das legislativas de Fevereiro passado, denunciadas pela oposição como fraudulentas. A revolta — que se assemelha às revoluções recentes na Geórgia e na Ucrânia — atingiu maior dimensão no sul do Quirguistão (uma região rural e mais pobre do que o resto do território) e a oposição ameaça marchar agora sobre a capital, Bichkek, caso não sejam realizadas novas eleições.

Para evitar esse cenário, o Presidente quirguize, Askar Akeev, ordenou hoje o encerramento da única estrada que liga o sul ao norte do país, que se mantém sob controlo do Governo. A polícia instalou várias barreiras ao longo da estrada e encerrou o túnel de Kussin-Kolbaiev, que passa sob a cadeia montanhosa que divide o Quirguistão.

Também na capital a pressão sobre a oposição está a aumentar, tendo a polícia dispersado uma manifestação que decorria no centro da cidade para exigir novas eleições.

Em paralelo, as forças de segurança detiveram esta tarde Emilia Aliieva, vice-presidente do partido da oposição Ar-Namis. A prisão da dirigente ocorreu horas depois de outros dois responsáveis terem sido detidos, incluindo o "número dois" do Movimento Democrática do Quirguistão, o maior partido da oposição.

A revolta que há uma semana abala este pequeno país da Ásia Central tem sido até agora relativamente pacífica, apesar de nos primeiros dias os protestos terem degenerado em violência. A comunidade internacional apelou à negociação de uma saída política para o diferendo, mas até agora nenhuma das partes se mostrou disponível para dialogar.

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