Governo de Israel promete respostas à contestação social sem precedentes

07.08.2011 - 13:58 Por PÚBLICO, Agências
Face a uma contestação sem precedentes, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu este domingo diálogo e “mudanças”, horas depois de manifestações contra o custo de vida que reuniram 300 mil pessoas.
“Não podemos ignorar a contestação social. Sabemos que é preciso proceder a mudanças e faremos prova de responsabilidade, sendo sensíveis às exigências” dos manifestantes, afirmou Netanyahu na reunião semanal do Governo. “Queremos propor um diálogo autêntico e ouvir toda a gente para propormos soluções, mesmo se não podemos satisfazer todos os pedidos.”
Para lançar este “diálogo autêntico”, o primeiro-ministro disse querer criar “uma equipa especial”, dirigida pelo professor Manuel Trachtenberg, um economista respeitado que é hoje presidente do Conselho do Ensino Superior.
Segundo a rádio pública de Israel, a equipa de Trachtenberg, supervisionada pelo próprio Netanyahu, vai integrar quase metade dos 29 membros do Governo e irá avaliar com a ajuda de especialistas o conjunto das reivindicações dos manifestantes, nomeadamente sobre educação, habitação e acesso a cuidados de saúde. Patrões e sindicatos deverão participar nas discussões.
Numa primeira reacção, o dirigente da Associação Nacional de Estudantes, Izik Shmuli, congratulou-se pela escolha de Trachtenberg, um homem “digno de confiança”.
Três semanas depois de ter sido anunciada, a contestação reuniu sábado à noite mais de 300 mil pessoas, principalmente nas ruas de Telavive mas também noutras cidades, que reclamavam “justiça social”. Os organizadores esperavam 200 mil pessoas.
Os manifestantes, na sua esmagadora maioria laicos, pedem a construção massiva de alojamentos para alugar a baixos preços, o aumento do salário mínimo, a imposição de taxas sobre as casas desocupadas e a gratuitidade do ensino. Os media israelitas são unânimes ao descreverem este movimento de revolta social como sem precedentes.
“Um novo país”, “Israel na rua”, foram títulos escolhidos pelo diário de maior circulação, o Yediot Ahronot.


