A Dinamarca decidiu encerrar temporariamente a sua embaixada em Islamabad, na sequência dos violentos protestos registados nos últimos dias no Paquistão contra a publicação das caricaturas do profeta Maomé.
"A embaixada foi temporariamente encerrada até nova ordem", ouve-se na gravação telefónica quando se tenta contactar a embaixada, cujos assuntos urgentes estão agora a ser tratados pela representação da Alemanha na capital paquistanesa.
O embaixador dinamarquês Bent Wigotski ainda se encontra em Islamabad, tendo sido convocado, juntamente com outros representantes europeus, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês, adiantou uma fonte diplomática, sem avançar o motivo da convocatória.
Em simultâneo, o Governo paquistanês chamou o seu embaixador em Copenhaga "para consultas".
Cerca de duas semanas depois do início dos protestos contra os "cartoons" em muitos países muçulmanos, as manifestações atingiram esta semana o seu auge no Paquistão. Terça e quarta-feira, cinco manifestantes morreram em confrontos com a polícia.
As forças de segurança usaram hoje gás lacrimogéneo para dispersar cerca de dois mil manifestantes que tentavam bloquear uma auto-estrada nos arredores de Carachi, no sul do país, onde ontem 35 mil pessoas se manifestaram de forma pacífica. Cem manifestantes foram detidos depois de alguns veículos terem sido incendiados e apedrejados, revelou a polícia local.
Antecipando a grande mobilização de hoje - dia de descanso semanal para os muçulmanos -, as forças de segurança paquistanesa detiveram 150 militantes islamistas e colocaram em prisão domiciliária o líder extremista Hafiz Saeed, fundador do grupo Lashkar-e-Taiba, ilegalizado desde 2001.
Várias outras manifestações decorreram sem incidentes nas principais cidades do Paquistão, apesar das já habituais queimas da bandeira dinamarquesa e de bonecos que simbolizam dirigentes ocidentais.


