Um departamento colombiano fez as contas e chegou à conclusão que os sequestrados no país são 13 vezes menos do que se pensava. Mas já aí está uma organização não governamental (ONG) a insistir que são muitos mais.
De acordo com o estudo, assinado pela Fondelibertad, o número de pessoas reféns na Colômbia é de apenas 125, incluindo 76 nas mãos dos dois grupos de esquerda – as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, comunistas) e o Exército de Libertação Nacional (ELN, de inspiração guevarista). As FARC e o ELN terão consigo respectivamente 66 e dez.
Os restantes 49 estão em poder de bandos comuns do crime, que os raptam para vender às guerrilhas, ou ficam com eles para a obtenção de um resgate. As pessoas são levadas para servirem objectivos políticos ou simplesmente como um meio de rendimento.
Relativamente ao contingente de outras pessoas desaparecidas das quais nunca mais se soube, a Fondelibertad diz que são em número de 1502 e que o seu estatuto é o de “procuradas”. Quer dizer, não tem elementos para as considerar como em poder de qualquer bando ou organização. O estudo avança ainda 1173 falsos reféns, que concluiu que estão afinal em liberdade.
O número oficial de reféns até agora era de 1700, incluindo 700 nas mãos da guerrilha comunista, entre estes 22 ditos “políticos” – ou trocáveis por guerrilheiros detidos. O grupo rebelde negou sempre a cifra, afirmando que só tem consigo nove pessoas, por quem pede um resgate, além dos transaccionáveis.
Na apresentação do estudo, o director da Fondelibertad, Harlan Henao, explicou que as conclusões assentam na “depuração” das suas bases de dados.
Assim que o balanço foi anunciado, começaram as críticas. A organização não governamental País Livre classificou o levantamento como uma “vergonha”, suscitando dúvidas sobre os critérios usados. Familiares das vítimas fizeram as mesmas críticas.
Para esta ONG, na primeira linha da defesa dos sequestrados, as FARC e o ELN terão consigo, respectivamente, 326 e 240 pessoas.
A Fondelibertad, ou o Fundo Nacional para a Defesa da Liberdade Pessoal, é uma organização dependente do Ministério da Justiça.
Enquanto o novo balanço era apresentado, as FARC anunciavam a libertação de mais um refém, no caso um militar, o cabo Emilio Moncayo, na selva há 11 anos. A decisão foi transmitida à comissão dirigida pela senadora Piedad Córdoba, a mediadora das seis libertações desde Fevereiro.
O cativo foi levado pelos guerrilheiros em Dezembro de 1997, no departamento de Putumayo, quando tinha 18 anos.


