A possibilidade de um dos quatro atentados terroristas que ontem abalaram Londres ter sido cometido por um bombista suicida está a ser "levada em consideração" pelas autoridades britânicas, afirmou hoje o ministro britânico do Interior, Charles Clarke.
"É evidente que a possibilidade de atentado suicida está a ser levada em consideração, tal como todos os outros métodos de fazer explodir uma bomba", disse Clarke à BBC Radio.
A possibilidade de um atentado suicida é também avançada pela imprensa britânica de hoje no caso da explosão num autocarro de dois andares, perto de Russell Square, a poucos metros do British Museum. O último balanço oficial dá conta de dois mortos nesta explosão, mas a maior parte dos jornais diz que o número de vítimas deverá ser muito muito superior.
Os jornais “The Independent”, “The Sun”, “Daily Mirror”, “Daily Express” e “Daily Mail” citam o testemunho de Richard Jones, de 61 anos, especialista em informática, para levantar esta hipótese. Jones viajava no autocarro que explodiu em Tavistock Square e revelou ter visto um jovem alto que lhe parecia muito nervoso e que “não parava de mexer num saco”.
O “Guardian”, por seu lado, também dá conta de testemunhas que afirmam ter visto um homem com um comportamento suspeito a mexer num saco.
Vários jornais citam ainda o testemunho de Terence Mutasa, enfermeiro, que assistiu duas mulheres que viajavam no autocarro atingido. “Elas disseram que uma pessoa se sentou e explodiu e pensavam que se tratava de um suicida”.
Os jornais abordam essencialmente em duas teses para explicar a explosão no autocarro: um ataque suicida ou a explosão acidental de uma bomba que um terrorista transportava para uma estação de metro, para cometer o quarto atentado da manhã na rede de metropolitano.
Se a hipótese de atentado suicida se confirmar, Londres será a primeira cidade da Europa a ser alvo de um ataque com esta característica.
Os três outros atentados terroristas tiveram como alvo carruagens de metro. As explosões ocorreram num período de 56 minutos e, segundo o último balanço das autoridades, fizeram 38 mortos e 700 feridos.


