Gordon Brown anuncia remodelação governamental, entre novas demissões de ministros

05.06.2009 - 17:47 Por Maria João Guimarães
A ministra para a Europa, Caroline Flint, é a última baixa do Governo britânico e a sua demissão foi conhecida durante uma conferência de Imprensa de Gordon Brown a propósito da remodelação do Governo.
Caroline Flint junta-se ao ministro dos Transportes, Geoff Hoon, cuja demissão foi conhecida já hoje, e à do responsável pela Defesa, John Hutton. Ontem à noite, tinha sido a vez de James Purnell, ministro do Trabalho e visto como um potencial sucessor de Gordon Brown na liderança do Partido Trabalhista, mas o primeiro-ministro garantiu que não se vai demitir, numa conferência de imprensa, esta tarde.
Gordon Brown tentou parecer descontraído e sorridente na conferência de imprensa em que anunciou uma remodelação governamental e em que foi bombardeado com perguntas dos jornalistas que foram variações sobre o significado da remodelação, a autoridade do primeiro-ministro ou a sua legitimidade para continuar sem ir a eleições.
Um jornalista questionou Brown sobre a demissão de Caroline Flint – que na noite passada expressava o seu apoio ao primeiro-ministro. Brown diz que não questiona a lealdade dos seus restantes ministros e repetiu a ideia de que tem um trabalho a terminar – “limpar o sistema político, liderar o país durante a recessão” – e que depois deste feito, “então as pessoas poderão dizer o que acham” votando.
A conferência de imprensa serviu para debater a remodelação que inclui sete mulheres e dois membros da câmara dos Lordes para substituir as recentes saídas. Além das demissões conhecidas ontem e hoje, já tinham anunciado que deixam o Governo a ministra das Comunidades Hazel Bleares e a ministra do Interior Jacqui Smith, apanhada no escândalo das despesas dos deputados. O cargo do Interior irá para Alan Johnson, que muitos viam como um possível sucessor de Brown mas que continua a afirmar publicamente o seu apoio ao primeiro-ministro.
De resto, Brown admitiu erros, diz que ouviu o povo na “derrota dolorosa” que o seu partido sofreu nas eleições locais. Mas isso não muda a sua convicção de que irá terminar o trabalho.
Entretanto, uma sondagem divulgada hoje pelo “Daily Telegraph” apontava para uma votação de 16 por cento nos trabalhistas nas eleições europeias de ontem, cujos resultados serão divulgados no domingo. Os Conservadores terão ganho a eleição com 26 por cento, à frente dos eurocépticos do UK Independence Party, com 19 por cento.

