O ministro britânico das Finanças, Gordon Brown, preparava-se para colher hoje o que poderá ser o primeiro grande triunfo da presidência britânica do G8, esperando que os ministros do grupo reunidos em Londres cheguem a acordo sobre o perdão da dívida dos países africanos.
Os ministros dos sete países mais ricos - os países do G8 excepto a Rússia - concordaram ontem em ir mais além do acordo limitado anunciado pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e pelo Presidente norte-americano, George W. Bush, na terça-feira, que incluía apenas dívidas ao Banco Mundial e ao Banco de Desenvolvimento Africano, diz o diário britânico "The Guardian".
A proposta que Brown tenta aprovar diz respeito a mais de 40 anos de dívidas e poderá ajudar a poupar cerca de 2 mil milhões de dólares aos países pobres em pagamentos anuais de dívidas.
As discussões centram-se também nas duas outras prioridades da presidência britânica do G8: a ajuda a dar aos países africanos e em modos de apressar as conversações sobre a liberalização do comércio.
"Ainda tenho como objectivo os 100 por cento do perdão da dívida. Ainda tenho como objectivo a duplicação da ajuda. Ainda tenho como objectivo a justiça do comércio", disse o ministro numa entrevista exclusiva ao "Guardian".
"Depois de conversações com os meus colegas ministros das Finanças, estou convencido de que há uma preocupação partilhada com a necessidade de resolver urgentemente a questão da dívida e de que na cimeira de Glebeagles [no próximo mês] chegaremos a consenso de que a acção em conjunto em ajuda, comércio e perdão da dívida são essenciais".
Apesar de concordar que está a pedir ajuda numa altura em que cinco dos países do G7 (os EUA, a Alemanha, o Japão, a Itália e a França) enfrentam crises com as suas finanças públicas, Brown diz continuar optimista e sublinhou que estas questões estão dada vez mais sob a atenção dos media e louvou estrelas como Bono, dos U2, e Bob Geldof: "Estas preocupações com a pobreza global estão na agenda como nunca estiveram antes. Os países ocidentais sentem agora uma grande pressão."
O ministro referiu o sinal dado pelo secretário do Tesouro norte-americano, John Snow, que no dia anterior tinha defendido que um acordo sobre o perdão da dívida estava "perto". Mas reconheceu, em relação aos EUA, as mínimas probabilidades de um "sim" à duplicação da ajuda que a Grã-Bretanha tem pedido, adiantando que é possível seguir em frente sem os americanos.



