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Ruas bloqueadas em Tbilissi

Geórgia: oposição apela à desobediência civil para forçar demissão do Presidente

10.04.2009 - 15:07 Por Dulce Furtado, com agências

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Os manifestantes exigem a demissão de Mikhail Saakachvili Os manifestantes exigem a demissão de Mikhail Saakachvili (David Mdzinarishvili/Reuters)
Ao segundo dia consecutivo de manifestações, a oposição georgiana perdeu força na rua: não mais do que uns 25 mil manifestantes – um terço, se não mesmo menos, dos 60 a 100 mil da véspera – responderam hoje ao apelo de protestos contra o Presidente, Mikhail Saakachvili. Mas as principais ruas ficaram bloqueadas, restringindo os movimentos em Tbilissi, e foi feita a ameaça de lançar uma “vasta campanha de desobediência civil”.

Acusado de autoritarismo e com a popularidade abalada pela derrota sofrida na guerra de Agosto passado, Saakachvili – que foi reconduzido ao poder em eleições antecipadas em Janeiro de 2008 – reiterou já hoje que não irá demitir-se e que a Geórgia não irá eleger novo chefe de Estado antes de 2013.

“É óbvio que a resposta a essa pergunta é um claro ‘não’. E foi sempre ‘não’, porque é assim que as coisas funcionam à luz da Constituição”, afirmou o Presidente em conferência de imprensa ao responder se iria aceder à exigência dos 17 partidos da oposição. E mais: apelou “ao diálogo”. “Eu compreendo que a pobreza no país aumentou devido à guerra [de Agosto, contra a Rússia, por causa das regiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul]. As pessoas ficaram zangadas. E eu também estou zangado com estes mesmos problemas. Mas para os resolver precisamos da união de todos os cidadãos e grupos políticos”, afirmou, citado pela agência noticiosa russa RIA Novosti.

Mas dos líderes da oposição não chegou qualquer sinal de trégua. Pelo contrário. "Vamos lançar uma campanha de desobediência civil", avisou um dos líderes da oposição, Kakha Kukava, à agência noticiosa britânica Reuters. E o veterano da Revolução Rosa Levan Gachechiladze, em tempos aliado de Saakachvili mas seu adversário no sufrágio do ano passado, instou os manifestantes a manterem sob cerco cerrado as ruas que dão acesso ao gabinete presidencial em Tbilissi, assim como ao edifício da televisão estatal – com o propósito de limitar a acção do chefe de Estado. “Mas não vamos entrar nos edifícios”, apelou, tentando evitar que as manifestações se tornem violentas.

Saakachvili, que liderou a Revolução Rosa de 2003 fazendo a Geórgia pender a Ocidente e quebrar os laços com Moscovo, é hoje uma figura pouco consensual, alguns anos apenas depois de a Administração de George W. Bush o ter descrito como um “farol de democracia” no Cáucaso.

Não gozou, de resto, de grande tranquilidade interna ao longo dos últimos cinco anos, enfrentando contínuos ultimatos da oposição, que tiveram o seu auge em Novembro de 2007, com maciças manifestações nas ruas – às quais o presidente respondeu com a polícia antimotim, “queimando” as suas credenciais democráticas perante o Ocidente.

Desta feita enfrenta pela primeira vez, porém, todos os 17 partidos da oposição unidos num único propósito: o de obter a sua demissão. Mas os analistas duvidam que esta aliança se mantenha coesa por muito mais tempo – os partidos não conseguem sequer acordar como enquadrar politicamente o afastamento de Saakachvili –, o que poderá abrir a porta à perda de controlo das multidões. O clima de tensão, avaliam os peritos, pode entrar em ebulição, mesmo se o Presidente continua a reter um vasto apoio popular e eleitoral depois de ter perdido, nos últimos seis meses, alguns dos seus mais próximos aliados políticos.

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Geórgia

Se o Bush o descreveu como o farol da democracia no Cáucaso, de certeza que o povo o vai derrubar ...

António Batista

10.04.2009 16:19

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