Geórgia: militares russos acusados de espionagem vão ficar detidos

29.09.2006 - 16:40 Por AFP, Reuters
Dois dos quatro militares russos acusados de espionagem pela Geórgia vão ficar detidos preventivamente, anunciou a procuradoria. O caso está a agitar as relações entre os dois países e já levou à transferência do pessoal não essencial da embaixada russa em Tbilissi.
"O tribunal de Tbilissi satisfez o pedido do procurador-geral" para a prisão preventiva dos dois militares, afirmou o porta-voz do Ministério Público, adiantando que a detenção tem um prazo previsto de dois meses.
O responsável disse ainda que o processo relativo aos outros dois militares detidos "decorre neste momento".
As audiências decorreram à porta fechada e não se sabe se alguns dos detidos se declarou culpado das acusações de espionagem. Contudo, um deles gritou para os jornalistas, à saída do tribunal: "Isto é uma provocação".
A lei da Geórgia prevê penas de até dez anos para o crime de espionagem.
Os quatro militares foram detidos na quarta-feira, em Batumi, no Oeste do país, sob a acusação de trabalharem para a secreta militar russa (GRU).
O Ministério do Interior da Geórgia exigiu ainda a entrega de um quinto militar, também suspeito de espionagem. Desde quarta-feira que centenas de polícias de Tbilissi cercam o quartel-general das forças russas na região, onde se pensa estar refugiado o oficial.
Os cinco homens são suspeitos de terem recolhido, durante vários anos, informações sobre o arsenal das forças georgianas, programas de cooperação com a NATO e sobre os recursos energéticos do país.
Considerando estas suspeitas infundadas, Moscovo exigiu a libertação dos quatro militares e acusou o Governo georgiano de promover uma política anti-russa.
Face à actual situação, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russos ordenou o regresso do seu embaixador em Tbilissi e a retirada do pessoal diplomático não essencial e das suas famílias.
Esta manhã, dois aviões partiram da capital georgiana com dezenas de pessoas a bordo, entre elas o embaixador. Moscovo pondera também ordenar o repatriamento dos funcionários civis das duas bases militares que ainda mantém no Sul e no Oeste da Geórgia.
Antiga república soviética e tradicional aliada da Rússia, a Geórgia tem vindo a distanciar-se de Moscovo desde finais de 2003, aquando da chegada ao poder do pró-ocidental Mikhail Saakachvili. Este mês, após meses de hesitação, a NATO aceitou o início de negociações com vista a uma eventual adesão da Geórgia à aliança – uma iniciativa que desagradou a Moscovo.
Confrontados com esta crise, os ministros da Defesa dos 26 países da Aliança Atlântica, reunidos desde ontem na Estónia, apelaram à moderação, evitando iniciativas que possam pôr em causa a estabilidade da região.

