As autoridades da Geórgia anunciaram ter hoje detido quatro oficiais russos, acusados de espionagem. Moscovo já exigiu a libertação imediata dos seus militares, num caso que ameaça reacender a polémica nas já difíceis relações entre os dois países.
“Quatro oficiais russos dos serviços secretos militares e doze civis georgianos que se dedicavam a espionagem em Tbilissi, Batumi e em vários pontos do território nacional, foram detidos durante uma operação especial”, afirmou o ministro do Interior da Geórgia, Vano Merabichvili.
O governante exigiu ainda às forças russas estacionadas na Geórgia que entreguem um quinto oficial, também suspeito de espionagem, temendo que Moscovo facilite a sua fuga “através dos canais diplomáticos”.
Dezenas de veículos blindados da polícia georgiana cercaram esta tarde o centro de comando das forças russas na região (Geórgia, Azerbeijão e Arménia), instalado no país.
Segundo o ministro do Interior, os cinco oficiais são suspeitos de terem “recolhido, durante vários anos, informações sobre o arsenal das forças georgianas, programas de cooperação com a NATO e sobre os recursos energéticos do país”.
Tbilissi suspeita ainda que os militares possam estar “implicados” na organização do atentado em Gori, que, em Fevereiro do ano passado, matou três polícias e feriu outros 23.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo já exigiu a “libertação imediata” dos seus quatro oficiais, denunciando as “acusações sem fundamento” de Tbilissi. Moscovo classifica a detenção dos militares como “um acto brutal, que prova que os dirigentes georgianos levam a cabo uma política anti-russa”.
Antiga república soviética e tradicional aliado da Rússia, a Geórgia tem vindo a distanciar-se de Moscovo desde 2004, aquando da chegada ao poder do pró-ocidental Presidente Mikhail Saakachvili, que não esconde o desejo de integrar o país na NATO.
Ao abrigo de um acordo concluído em Maio do ano passado, Moscovo deverá desmantelar, até ao final de 2008, as duas bases que ainda mantém no Sul e Oeste do país.



