Geórgia denuncia eventual reconhecimento russo da independência da Ossétia e Abkházia

25.08.2008 - 17:18 Por Agências
A Geórgia considera que o reconhecimento da independência das províncias separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia por parte do Parlamento russo representa a continuação da “agressão” de Moscovo contra o país.
“Consideramos que a decisão representa um novo passo na luta da Rússia contra a soberania georgiana”, afirmou o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros, Giga Bokeria, pouco depois de a Duma, câmara baixa do Parlamento russo, ter aprovado uma declaração em que apela ao Presidente, Dmitri Medvedev, para reconhecer a independência da Ossétia do Sul e Abkházia. A declaração, idêntica à aprovada horas antes pelo Conselho da Federação, foi novamente votada por unanimidade.
“Se o Presidente russo aceitar” a recomendação do Parlamento, “estaremos perante a continuação da agressão contra a Geórgia e uma violação grave do direito internacional”, acrescentou o chefe da diplomacia de Tbilissi.
A decisão cabe agora ao executivo liderado por Medvedev que, num encontro recente com os líderes separatistas, prometeu apoiar o direito à autodeterminação das duas regiões. Contudo, os analistas sublinham que o Presidente russo tem várias alternativas em cima da mesa que poderão passar pelo simples reconhecimento da independência, a anexação daqueles territórios controlados pelas suas forças ou a manutenção do actual “status quo”.
Certo é que Moscovo não perderá a oportunidade para fazer a comparação entre a situação no Cáucaso e a proclamação da independência no Kosovo, reconhecida por muitos países ocidentais, mas rejeitada por Moscovo. Na altura, a Rússia colocou-se ao lado da Sérvia, e sublinhou que o reconhecimento da independência daquela província de maioria albanesa teria um efeito de contágio sobre as pretensões separatistas de outras regiões.
“A Abkházia e a Ossétia do Sul têm mais razões do que o Kosovo para querer a independência”, declarou Konstantin Kossatchev, presidente da comissão de Assuntos Externos da Duma, recordando que as populações das duas regiões nunca reconheceram o domínio de Tblissi.

