A Geórgia vai observar hoje um cessar-fogo das 11h00 às 14h00 para permitir a evacuação da Ossétia do Sul, palco de confrontos terrestres e raides aéreos, retirando os civis para a cidade georgiana de Gori, anunciou o autarca de Tbilissi, Guigui Ougoulava, alto responsável do partido no poder. A Geórgia acusa a Rússia de bombardear o seu território.
“Vamos permitir o cessar-fogo das 15h00 às 18h00 locais, a fim de retirar os civis”, disse o responsável à estação de televisão georgiana Roustavi 2. “Estamos a oferecer um abrigo em Gori”, cidade vizinha da Ossétia do Sul situada a Noroeste de Tbilissi. “Queremos garantir a segurança da população civil”, acrescentou.
Um jornalista da agência AFP constatou que camiões russos carregados com material militar e combatentes "voluntários" estão a dirigir-se para a Ossétia do Sul, a partir de Vladikavkaz, a capital da República russa da Ossétia do Norte.
O Comité Internacional da Cruz Vermelha pediu a abertura de um "cordão humanitário" na Ossétia do Sul, para retirar da região os feridos em combate. Pelo menos 15 pessoas morreram nos combates e ataques aéreos georgianos em Tskhinvali, segundo os separatistas.
Presidente da Geórgia acusa Rússia de "agressão militar"
Hoje, o Presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, acusou a Rússia de “agressão militar a larga escala” e exigiu que Moscovo suspenda o bombardeamento de cidades georgianas, noticia a agência Novosti-Gruzia.
Numa declaração à nação, Saakashvili, pró-ocidental, anunciou uma mobilização geral das reservas militares do país. As forças georgianas, apoiadas por tanques e aviação, estão na cidade de Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, mas ainda não conseguiram tomar o controlo da cidade, noticia o jornal diário russo “Kommersant” online.
A Rússia confirmou os combates no centro de Tskhinvali.
A imprensa georgiana está a avançar que a aviação russa está a bombardear cidades na Geórgia e que os militares georgianos abateram um avião russo, cita o jornal.
Segundo a Reuters, a Geórgia afirma que três aviões russos entraram no espaço aéreo georgiano e largaram bombas em dois locais.
A crise, a primeira que o Presidente russo Dmitry Medvedev tem de enfrentar desde que assumiu o cargo, em Maio, está a causar receios de uma guerra naquela região, uma via crucial para o mercado energético sobre a qual a Rússia e o Ocidente disputam a sua influência.
A NATO, União Europeia e Estados Unidos querem evitar o derramamento de sangue, enquanto Moscovo quer retaliar depois de vários membros russos da manutenção de paz terem sido mortos pelo fogo da artilharia georgiana.
Ossétia do Sul em perfil
A Ossétia do Sul é um território com cerca de quatro mil quilómetros quadrados, cem quilómetros a Norte da capital da Geórgia, Tbilissi, nas encostas da região montanhosa do Cáucaso.
O colapso da União Soviética desencadeou um movimento separatista na Ossétia do Sul, que sempre teve mais afinidade com a Rússia do que com a Geórgia. Aquela região separou-se do domínio georgiano numa guerra em 1991-1992. Morreram centenas de pessoas. Hoje, mantém estreitas ligações à região russa vizinha da Ossétia do Norte, do lado Norte do Cáucaso.
A maioria dos seus 70 mil habitantes é de etnia diferente dos georgianos e falam a sua própria língua.
Cerca de dois terços do orçamento anual vem directamente de Moscovo e quase toda a população tem passaporte russo. Os cidadãos utilizam o rublo russo como moeda.
A Geórgia acusa as forças russas de manutenção da paz de apoiarem os separatistas. Moscovo nega. Nos últimos anos, escaramuças esporádicas entre separatistas e forças georgianas já mataram dezenas de pessoas.
O Presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, propôs um acordo de paz, no âmbito do qual seria concedido à Ossétia do Sul um “elevado nível de autonomia”, dentro de um Estado federal. Mas os separatistas afirmam que querem a independência total.



