A Gazprom recebeu ordens para retomar o abastecimento de gás à Europa através dos gasodutos ucranianos, depois de assinado um acordo bilateral que vai regular as exportações russas daquele combustível para a Ucrânia nos próximos dez anos.
“A Gazprom está pronta a responder à procura diária dos consumidores dos países europeus” importadores, afirmou o primeiro-ministro russo, após a assinatura dos contratos entre as companhias estatais russa e ucraniana, Gazprom e Naftogaz.
Putin não quis estipular um prazo para o reinício do abastecimento, mas disse esperar que o gás russo chegue “em breve” às torneiras dos clientes europeus.
Presente a seu lado na cerimónia, a primeira-ministra ucraniana, Iulia Timochenko, garantiu que o seu país “reiniciará a transferência [para os outros países europeus] assim que o gás russo chegue aos gasodutos do país”. “Não haverá mais atrasos que possam ser atribuídos à Ucrânia”, acrescentou. A Reuters adianta que poderá demorar um dia e meio até que o gás injectado nos gasodutos ucranianos atravesse o país e chegue aos consumidores europeus.
Reagindo a este acordo, que põe fim a três semanas de “guerra do gás”, a Comissão Europeia mostrou-se prudente, dizendo não ter “uma indicação do momento preciso em que o abastecimento será retomado”. “Os nossos observadores vão verificar quando é que o gás começa mesmo a correr”, sublinha um comunicado da comissão.
No entanto, Putin entende que, perante o acordo bilateral aprovado hoje, “deixa de ser necessário” o esquema de controlo e vigilância”, criado na semana passada, quando russos e ucranianos trocavam acusações sobre quem era responsável pelo corte no abastecimento de gás à Europa.
O acordo assinado hoje entre os dois países vizinhos deverá vigorar nos próximos dez anos e prevê, para este ano, uma redução de 20 por cento no preço pago pela Ucrânia por cada tonelada cúbica de gás russo, em comparação com a tabela praticada para os restantes clientes europeus. O acordo prevê também o fim de intermediários neste processo, depois de o actual consórcio que medeia as vendas entre a Gazprom e a Naftogaz ter sido acusado de prejudicar a transparência do negócio.
Com este acordo, a Gazprom vai retomar a venda de gás ao país vizinho, suspensa a 1 de Janeiro por falta de entendimento quanto ao preço a praticar este ano e que levaria, pouco depois, a empresa russa a suspender todas as exportações para a Europa pelos gasodutos ucranianos, acusando Kiev de estar a desviar gás que se destinada a outros clientes.


