Gaza: grupo radical reivindica execução de jornalista da BBC

15.04.2007 - 19:00 Por PUBLICO.PT, , com agências
O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico está a investigar a autenticidade de um comunicado divulgado por um grupo fundamentalista palestiniano até agora desconhecido que reivindica a execução de um jornalista da BBC, sequestrado há cerca de um mês em Gaza.
“Estamos a par das informações e estamos a investigá-la de forma urgente”, afirmou um porta-voz da diplomacia britânica, em resposta ao comunicado enviado pelas brigadas Tawhid al Jihad (Unicidade e Guerra Santa) a várias redacções.
Também o ministro do Interior palestiniano disse não ter “qualquer informação” sobre a sorte de Alan Johnston. “De momento não temos nada que confirme a sua execução e esperamos ter em breve boas notícias”, afirmou Hani al-Qawasmeh.
Num comunicado emitido esta tarde, a televisão pública britânica manifesta “grande preocupação” pelas informações vindas de Gaza, mas sublinha que, de momento, tudo não passa de “um rumor sem confirmação independente”.
As brigadas Tawhid al Jihad, uma organização até agora desconhecida, enviaram esta tarde a várias redacções uma nota em que anunciavam a execução do correspondente da BBC, da qual terão imagens. O grupo diz ter sido “obrigado” a matar Johnston, depois de ter sido ignorada a exigência que fez para a libertação de todos os palestinianos detidos nas cadeias de Israel.
“Quando um jornalista estrangeiro é capturado, todo o mundo se mobiliza, apesar de ninguém mexer um dedo para ajudar milhares dos nossos prisioneiros”, lê-se no comunicado, enviado à AFP. “O nosso objectivo era enviar uma mensagem clara, mas fomos surpreendidos pela posição do nosso Governo e da presidência de ignorarem a realidade [...], o que nos obrigou a matar o jornalista para que esta mensagem lhes chegue mais depressa”, conclui a nota”.
Um mês de sequestro
Alan Johnston foi sequestrado no passado dia 12 de Março, em pleno centro da cidade de Gaza, por quatro encapuzados que o obrigaram a entrar num carro que abandonou o local a grande velocidade, segundo o relato de testemunhas. Desde então têm-se sucedido as manifestações, no Reino Unido e em Gaza, a favor da libertação do jornalista, o último de uma dezena de profissionais da comunicação a ser raptados nos territórios palestinianos. Todos, à sua excepção, foram libertados após algumas horas de cativeiro, quase sempre às mãos de facções armados ou grupos de delinquentes.
Com 44 anos, Johnston entrou para o BBC World Service em 1991 e passou oito dos últimos 16 anos como correspondente, incluindo em cenários de guerra como o Afeganistão, recorda o "site" da televisão britânica. O jornalista estava em Gaza há três anos e era o único dos correspondentes ocidentais na região a viver em permanência naquele território, apesar da crescente insegurança. Johnston deveria ter terminado a sua colocação em Gaza no final de Março.

