Gaza: EUA negam que Rice tenha sido forçada a abster-se na votação do Conselho de Segurança

13.01.2009 - 20:27 Por Reuters, PÚBLICO
Os EUA negam que Condoleezza Rice tenha sido forçada a abster-se na votação de uma resolução que pedia o cessar-fogo na Faixa de Gaza, na sequência de telefonema feito por Ehud Olmert a George W. Bush, tal como alegou o primeiro-ministro israelita.
Num discurso transmitido ontem pela televisão israelita, Ehud Olmert contou que, na quinta-feira passada, exigiu falar com o Presidente americano apenas dez minutos antes da votação da resolução no Conselho de Segurança, ao saber que a secretária de Estado dos EUA planeava votar a favor do documento.
Apesar de, nesse momento, Bush estar a fazer um discurso, na cidade de Filadélfia, os seus assessores “tiraram-no do palco, levaram-no para outra sala e eu falei com ele”, contou Olmert, acrescentando que convenceu o Presidente americano a mudar o sentido de voto. “Ele deu a ordem à secretária de Estado e ela não votou a favor – a resolução que ela própria concebeu, formulou, organizou e manobrou para ser aprovada. Ela ficou bastante envergonhada e absteve-se na resolução”, relatou.
Confrontado com estas declarações, o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto, garantiu que “muito do que foi noticiado não é rigoroso” e há “várias imprecisões” nas declarações feitas por Olmert.
Já o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, que acompanhou Rice na votação de quinta-feira, garantiu que o relato feito por Olmert “ é cem por cento, totalmente e completamente falso”. Ainda assim, acrescentou, a diplomacia americana não pretende, pelo menos para já, pedir explicações ao Governo israelita.
Apesar das garantias americanas, relatos feitos por ministros árabes presentes na reunião do Conselho de Segurança vão ao encontro das revelações feitas por Olmert. Segundo eles, Rice prometeu votar a favor do projecto de resolução, mas minutos antes da votação falou ao telefone com Bush e, quando todos esperavam a aprovação do documento por unanimidade, ela absteve-se. A chefe da diplomacia americana viria a abandonar a sala, sem prestar declarações aos jornalistas, nem comentar a decisão com os seus homólogos.
A decisão é tanto mais estranha, afirmam, quanto ela própria esteve envolvida nas negociações para convencer os países árabes a apoiar o diploma, apresentado pelo Reino Unido, com o apoio do Governo francês.


