Gaza: Ban Ki-moon quer que responsáveis de ataques contra edifícios da ONU sejam julgados

20.01.2009 - 15:54 Por PÚBLICO, Agências
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, exigiu hoje que os responsáveis pelos ataques israelitas contra os edifícios da organização na Faixa de Gaza prestem “contas perante a justiça”.
Ban Ki-moon, que chegara pouco antes ao território, confessou-se “chocado” com o nível de destruição a que assistiu e denunciou o “uso excessivo” de força por parte do Exército israelita, apesar de condenar igualmente o disparo de “rockets” contra o Sul de Israel.
Falando diante dos destroços ainda fumegantes de um armazém das Nações Unidas, atacado na última quinta-feira, Ban Ki-moon considerou “escandalosos e totalmente inaceitáveis” os bombardeamentos contra os edifícios da organização, pedindo que sejam retiradas consequências. “Tem de haver um inquérito aprofundado, uma explicação completa para garantir que isto nunca mais se repetirá. [Os responsáveis] devem prestar contas perante a justiça”, disse Ban Ki-moon, o mais alto dirigente internacional a visitar o território palestiniano desde o fim da ofensiva israelita.
Israel pediu desculpas pelo ataque, que feriu três pessoas e destruiu dezenas de toneladas de ajuda humanitária, mas garantiu que as suas forças se limitaram a responder a tiros disparados do local – uma informação desmentida pela ONU.
Na semana anterior, a aviação israelita atacou outras duas escolas geridas pela agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNWRA), entre elas um estabelecimento em Jabaliya (Norte), onde estavam refugiados centenas de civis. Segundo os serviços de emergência palestinianos, 40 pessoas morreram no ataque, incluindo mais de uma dezena de crianças.
“Não posso descrever o que sinto depois de ter visto este edifício da ONU bombardeado”, confessou Ban Ki-moon, declarando estar “profundamente triste” com o que viu e ouviu desde a sua entrada na Faixa de Gaza.
No momento em que decorria a conferência de imprensa, uma delegação do Hamas manifestava-se junto ao edifício, pedindo o reconhecimento internacional do seu governo e Gaza. Sem se referir a esta questão, o secretário-geral das Nações Unidas pediu o fim das divisões entre Hamas e Fatah, a quem pediu para se reunirem no seio de uma “Autoridade Palestiniana legítima”.
Depois da visita a Gaza, o dirigente regressa a Israel, onde esta manhã esteve reunido com o primeiro-ministro, Ehud Olmert, para visitar a região Sul do país, atingido nas últimas semanas por dezenas de “rockets”, que resultaram na morte de três civis.

