A Rússia comprometeu-se hoje a restabelecer o abastecimento de gás russo para a Europa através da Ucrânia a partir de amanhã, às 08h00 (hora de Lisboa). A actual presidência checa da União Europeia já manifestou a sua satisfação pela promessa russa, avança a AFP.
“Se não houver obstáculos, recomeçaremos a bombar gás a partir das 08h00 de amanhã”, indicou o vice-primeiro-ministro russo, responsável pelo dossiê da Energia, Igor Setchine, a partir de Bruxelas.
Por seu lado, a Gazprom, o monopólio russo do gás, também indicou que espera que o abastecimento consiga efectivamente ser retomado amanhã. O director-geral da empresa, Alexandre Medvedev, indicou hoje – igualmente presente em Bruxelas – que “espera” que o abastecimento de gás à Europa possa ser retomado às “08h00 (hora europeia), ou às 10h00, hora de Moscovo”.
Este anúncio-promessa acontece depois de a União Europeia ter indicado hoje que “não pode aceitar mais atrasos e desculpas” no reabastecimento de gás à Europa através da Ucrânia.
“Esta crise já durou tempo demais, nós fizemos tudo o que era possível para restabelecer o reabastecimento de gás à Europa”, declarou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, durante uma conferência de imprensa com o Presidente romeno, Traian Basescu.
O primeiro-ministro russo “Vladimir Putin confirmou-me explicitamente que desde que os observadores estejam em acção, o gás recomeçará a circular. Espero que essa promessa seja cumprida. Não podemos aceitar mais atrasos ou desculpas”, acrescentou Durão Barroso.
Os observadores irão agora supervisionar o trânsito do grás russo para a Europa através da Ucrânia, que retirou finalmente, hoje de manhã, as reservas que mantinha acerca de um acordo que esteve em ponto-morto várias vezes durante a semana passada e que finalmente foi assinado durante o dia de ontem. A partir de agora, e a acreditar nas promessas russas, é uma questão de poucas horas até que Moscovo abra as torneiras do gás.
A chamada guerra do gás, que opunha a Rússia à Ucrânia pelo preço a que esta comprava o gás russo, levou a que Moscovo fechasse as torneiras na semana passada, impedindo que o gás chegasse a uma Europa a debater-se com uma vaga de frio polar.



