Gás: Acordo russo-ucraniano continua a suscitar dúvidas, defende economista

18.01.2009 - 14:31 Por Lusa
O conteúdo do acordo russo-ucraniano sobre o preço do gás russo para a Ucrânia, bem como o preço desse combustível, ainda não é suficientemente claro para que se possam tirar conclusões precisas, declarou à Lusa o economista Alexandre Paskhaver, antigo conselheiro do Presidente ucraniano Victor Iuschenko.
"Ainda não sabemos pormenores para tirar conclusões. Se o preço europeu de 470 dólares por mil metros cúbicos de gás for apenas válido para o primeiro trimestre de 2009, pode-se falar em vitória da Ucrânia, pois no trimestre seguinte, ele será três vezes mais baixo", explicou o economista.
"Mas se esse preço", continua Alexandre Paskhaver, "for para o ano inteiro, claro que isso será uma pesada derrota para a Ucrânia".
As agências russas não esclarecem esta questão quando citam as condições do acordo alcançado pelo primeiro-ministro russo Vladimir Putin e pela sua homóloga ucraniana Iúlia Timochenko.
A agência noticiosa russa Ria-Novosti cita assim Putin: "Chegámos a um acordo que reza que, em 2009, a parte ucraniana terá um desconto de 20% na compra de gás russo se conservar a tarifa favorável para o trânsito do gás através da Ucrânia ao nível de 2008".
"Desse modo, a Ucrânia poderá comprar gás à Rússia em 2009 a menos 20% do que preço europeu. No primeiro trimestre de 2009, os países europeus vizinhos da Ucrânia irão pagar 470 dólares por mil metros cúbicos. Em 2008, a Ucrânia comprava o gás a 179,5 dólares por mil metros quadrados", noticia a Ria-Novosti.
No segundo trimestre de 2009, a Hungria, República Checa e outros países do Leste da Europa irão receber gás russo a menos de 250 dólares por mil metros cúbicos de gás, pois o preço do combustível azul também está em queda como o do petróleo.
Porém, outros média russos interpretam que o preço de 470 dólares poderá manter-se durante todo ano.
"A parte ucraniana, que tentou conseguir um preço mais baixo para o gás, não tem razões para alegria. Talvez isso possa explicar o ar um tanto deprimido de Iúlia Timochenko, que falou depois de Putin na conferência de imprensa", considera a rádio Eco de Moscovo.
O economista ucraniano chama também a atenção para o facto de existirem "parágrafos secretos" no acordo russo-ucraniano.
"Nunca houve nenhum acordo russo-ucraniano sem parágrafos secretos. O último não é excepção e seria bom conhecê-los", sublinhou Alexandre Paskhaver, e acrescentou: "Não se pode excluir que a Rússia tenha prometido a Timochenko apoio nas eleições presidenciais ou na reunião de forças com vista a afastar o Presidente Iuschenko do seu cargo".
Vadim Karassiov, conselheiro do Presidente Iuschenko, reconheceu à Lusa que o acordo russo-ucraniano poderá reforçar as posições de Timochenko no país.
"Se o acordo prevê realmente preços favoráveis à Ucrânia, Timochenko verá reforçadas as suas posições políticas, pois será vista pelo eleitorado ucraniano, e até pela Europa, como uma dirigente que consegue dialogar com a Rússia, desbloquear situações complicadas", considerou.
"Iuschenko não deverá perder nem ganhar, pois tomou uma posição solidária com Timochenko", acrescentou Karassiov, e concluiu: "Victor Ianukovitch (líder do partido da oposição Regiões da Ucrânia) sai claramente derrotado, pois estava à espera que não houvesse acordo para acusar os dirigentes ucranianos de incompetência".

